terça-feira, 10 de março de 2009
Berlim em fotos aleatórias
segunda-feira, 9 de março de 2009
Quatro dias em Berlim
Só mesmo estando em Berlim para se dar conta do quanto de história tem lá, mesmo que boa parte da história que está refletida nas ruas da cidade seja a reconstrução ou a desconstrução do que um dia foi. Reconstrução de prédios, igrejas, monumentos ou bairros inteiros que foram bombardeados na Segunda Guerra. Desconstrução representada pelo Muro, que, derrubado, reunificou a Alemanha novamente em 1989, e hoje permanece lá invisível: uma linha cortando o chão da cidade e curtos pedaços preservados como relíquia histórica.
Uma das coisas que mais me impressionou foi justamente a questão do Muro, porque é uma história muito recente, uma história que eu vi acontecer pela televisão. Claro que na época eu não tinha a noção real do que era todo aquele fuzuê porque eu tinha nove anos de idade, mas ainda assim lembro de ver acontecer. É diferente de aprender uma história que aconteceu bem antes de eu existir, sei lá, me parece uma coisa mais real.

Mas chega de filosofia barata sobre a história. O fato é que gostei muito de Berlim. Estes quatro dias foram bem aproveitados em vários passeios e visitas bacanas.
Uma das coisas que mais gostei de fazer foi um “Free Tour” que estava anunciado no mapa que davam no hostel. É um roteiro gratuito a pé que na verdade não é bem gratuito: eles pedem que você dê seu preço no final se tiver gostado. Paguei com gosto, já que a nossa guia, a Gemma, explicou de forma bem bacana muitas coisas que teriam passado totalmente despercebidas. Senta que o post é longo, ou pula pro próximo :-)
O tour começa na Pariser Platz, de frente para o Brandenburger Tor, que é o mais importante portal de Berlim. Antes das guerras, era símbolo da paz, e depois da reunificação, se tornou o símbolo do nacionalismo alemão. Conta a guia que Napoleão, ao passar por ali, quis que o portal inteiro fosse levado para o Louvre. Convenceram-no de levar somente a estátua que fica em cima do portal, porque logisticamente seria meio complexo, pra não dizer insano, levar um portal daquelas proporções pra dentro de um museu.

Passamos em seguida ao lado do Reichstag, que é o Parlamento alemão. O prédio, um dos símbolos de Berlim, tem um domo de cristal que fica exatamente em cima da sala do Parlamento, e em dias de trabalho as pessoas podem ver os parlamentares lá embaixo trabalhando. A simbologia de tudo isso é que a democracia, simbolizada pelo domo de cristal, deve ser transparente, e que o povo é quem elege os políticos que ali trabalham, e logo estão acima deles. O tour não pára lá, então tivemos que voltar depois para subir no prédio.


Em seguida, passa pelo Holocaust-Mahnmal, um memorial aos judeus assassinados nos campos de concentração. É uma área grande, mais ou menos equivalente a um quarteirão, onde 2.700 pedras escuras de tamanhos diferentes se enfileiram, lembrando um cemitério. Bem impactante.

Andando mais adiante, chegamos ao local onde ficava o bunker onde Hitler passou seus últimos dias (bom pra situar quem já viu o filme A Queda). Este ponto não foi sinalizado para que não virasse um local de peregrinação de neo-nazistas ou coisa semelhante. Ao contrário, é um lugar completamente comum que foi aterrado e virou um estacionamento. Também passamos por um dos únicos prédios de arquitetura nazista ainda existentes na cidade, que não foi bombardeado – provavelmente porque os aliados queriam recuperar as informações ali guardadas, pois era uma espécie de ministério da aeronáutica nazi – e que hoje é sede do Ministério da Fazenda.
A parada seguinte foi no local onde ficava o Checkpoint Charlie, um dos pontos de passagem na fronteira entre o lado americano e o soviético do Muro.


Passamos pelo Gendarmenmarkt, onde há duas igrejas, a Französischer Dom e a Deutscher Dom, respectivamente locais de culto calvinista e luterano que mandaram construir no século XVIII para atrair população para a cidade, que na época estava meio sem gente por causa das sucessivas guerras que a Alemanha tinha o hábito de frequentar desde tempos remotos.
Depois, passamos pela Bebelplatz, onde ocorreu a grande queima de livros no regime nazi e onde hoje existe um memorial interessante sobre este evento: no meio da praça há uma espécie de biblioteca subterrânea vazia que pode ser vista a partir do nível do chão através de um tampo de vidro.

Dali, uma passada na Universidade Humboldt e chegamos na Ilha dos Museus, onde tem também o Berliner Dom, uma catedral protestante que foi o ponto final do tour.
Outros passeios interessantes: Nikolaiviertel, um pequeno bairro medieval reconstruído.

A Tacheles, galeria de grafite e arte alternativa na Oranienburger Strasse.


O Sony Center e o Museu do Filme que tem lá.


A Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche, uma igreja parcialmente destruída na Segunda Guerra e que foi mantida assim, parcialmente destruída, para não deixar ser esquecido o horror da guerra.


E, claro, não dá pra deixar de experimentar a maior quantidade possível de cervejas! Coisas estranhas da Alemanha também; por exemplo, pizza com pepino e pimentão vermelho (acreditem, eu comi isso!). Uma viagem muito bacana que provavelmente Rafael também vai querer fazer, apesar de já conhecer algumas cidades alemãs. Eu não vou reclamar nem um pouco de voltar lá, mas da próxima vez tem que ser numa época mais quentinha. Que na Alemanha faz ainda mais frio que na França, e isso foi a única coisa não legal na viagem.
Uma das coisas que mais me impressionou foi justamente a questão do Muro, porque é uma história muito recente, uma história que eu vi acontecer pela televisão. Claro que na época eu não tinha a noção real do que era todo aquele fuzuê porque eu tinha nove anos de idade, mas ainda assim lembro de ver acontecer. É diferente de aprender uma história que aconteceu bem antes de eu existir, sei lá, me parece uma coisa mais real.

Mas chega de filosofia barata sobre a história. O fato é que gostei muito de Berlim. Estes quatro dias foram bem aproveitados em vários passeios e visitas bacanas.
Uma das coisas que mais gostei de fazer foi um “Free Tour” que estava anunciado no mapa que davam no hostel. É um roteiro gratuito a pé que na verdade não é bem gratuito: eles pedem que você dê seu preço no final se tiver gostado. Paguei com gosto, já que a nossa guia, a Gemma, explicou de forma bem bacana muitas coisas que teriam passado totalmente despercebidas. Senta que o post é longo, ou pula pro próximo :-)
O tour começa na Pariser Platz, de frente para o Brandenburger Tor, que é o mais importante portal de Berlim. Antes das guerras, era símbolo da paz, e depois da reunificação, se tornou o símbolo do nacionalismo alemão. Conta a guia que Napoleão, ao passar por ali, quis que o portal inteiro fosse levado para o Louvre. Convenceram-no de levar somente a estátua que fica em cima do portal, porque logisticamente seria meio complexo, pra não dizer insano, levar um portal daquelas proporções pra dentro de um museu.

Passamos em seguida ao lado do Reichstag, que é o Parlamento alemão. O prédio, um dos símbolos de Berlim, tem um domo de cristal que fica exatamente em cima da sala do Parlamento, e em dias de trabalho as pessoas podem ver os parlamentares lá embaixo trabalhando. A simbologia de tudo isso é que a democracia, simbolizada pelo domo de cristal, deve ser transparente, e que o povo é quem elege os políticos que ali trabalham, e logo estão acima deles. O tour não pára lá, então tivemos que voltar depois para subir no prédio.


Em seguida, passa pelo Holocaust-Mahnmal, um memorial aos judeus assassinados nos campos de concentração. É uma área grande, mais ou menos equivalente a um quarteirão, onde 2.700 pedras escuras de tamanhos diferentes se enfileiram, lembrando um cemitério. Bem impactante.

Andando mais adiante, chegamos ao local onde ficava o bunker onde Hitler passou seus últimos dias (bom pra situar quem já viu o filme A Queda). Este ponto não foi sinalizado para que não virasse um local de peregrinação de neo-nazistas ou coisa semelhante. Ao contrário, é um lugar completamente comum que foi aterrado e virou um estacionamento. Também passamos por um dos únicos prédios de arquitetura nazista ainda existentes na cidade, que não foi bombardeado – provavelmente porque os aliados queriam recuperar as informações ali guardadas, pois era uma espécie de ministério da aeronáutica nazi – e que hoje é sede do Ministério da Fazenda.
A parada seguinte foi no local onde ficava o Checkpoint Charlie, um dos pontos de passagem na fronteira entre o lado americano e o soviético do Muro.


Passamos pelo Gendarmenmarkt, onde há duas igrejas, a Französischer Dom e a Deutscher Dom, respectivamente locais de culto calvinista e luterano que mandaram construir no século XVIII para atrair população para a cidade, que na época estava meio sem gente por causa das sucessivas guerras que a Alemanha tinha o hábito de frequentar desde tempos remotos.
Depois, passamos pela Bebelplatz, onde ocorreu a grande queima de livros no regime nazi e onde hoje existe um memorial interessante sobre este evento: no meio da praça há uma espécie de biblioteca subterrânea vazia que pode ser vista a partir do nível do chão através de um tampo de vidro.

Dali, uma passada na Universidade Humboldt e chegamos na Ilha dos Museus, onde tem também o Berliner Dom, uma catedral protestante que foi o ponto final do tour.
Outros passeios interessantes: Nikolaiviertel, um pequeno bairro medieval reconstruído.

A Tacheles, galeria de grafite e arte alternativa na Oranienburger Strasse.


O Sony Center e o Museu do Filme que tem lá.


A Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche, uma igreja parcialmente destruída na Segunda Guerra e que foi mantida assim, parcialmente destruída, para não deixar ser esquecido o horror da guerra.


E, claro, não dá pra deixar de experimentar a maior quantidade possível de cervejas! Coisas estranhas da Alemanha também; por exemplo, pizza com pepino e pimentão vermelho (acreditem, eu comi isso!). Uma viagem muito bacana que provavelmente Rafael também vai querer fazer, apesar de já conhecer algumas cidades alemãs. Eu não vou reclamar nem um pouco de voltar lá, mas da próxima vez tem que ser numa época mais quentinha. Que na Alemanha faz ainda mais frio que na França, e isso foi a única coisa não legal na viagem.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Berlim
Aproveitando os voos low cost e as ótimas tarifas de hostels pela Europa, resolvi dar uma passeadinha por Berlim com a Cris. Por enquanto não deu pra conhecer muito bem a cidade porque já chegamos aqui de tardinha, mas fomos passear agora de noite no modernoso Sony Center e depois tomamos uma tradicional cerveja alemã acompanhada de salsicha, chucrute e batata num bar onde estava passando um jogo de futebol entre o Spantoltzerplatz e o Markstunigstfalöpz. Super alemão.
Mas já estou com saudades da França. Lá eu não entendo quase nada, mas é melhor que aqui, que eu não entendo absolutamente nada.
Mas já estou com saudades da França. Lá eu não entendo quase nada, mas é melhor que aqui, que eu não entendo absolutamente nada.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Insetos
Agora que reparei que, desde que cheguei aqui, não vi nenhum inseto. Nenhum, nem formiguinha. Será que é porque é inverno? No Brasil, formiga não respeita esse negócio de estação, não.
Acho que até as formigas francesas são mais sérias do que as brasileiras.
Acho que até as formigas francesas são mais sérias do que as brasileiras.
domingo, 1 de março de 2009
Paris by night
Sábado à noite, primeira saída em Paris: fui com Cid e Virginie para uma boate chamada Social Club lá pros lados da Bourse. O DJ era chato demais e a música idem, mas mesmo assim me diverti observando o comportamento das pessoas na noite parisiense. Algumas figuras são clássicas em qualquer lugar: o arroz-de-festa flanando em todas as meninas presentes, o tímido que fica no cantinho desejando ter a cara de pau do arroz-de-festa, o mauricinho que olha todo mundo de cima, o alternativo com camisa de banda que só ele conhece. Até aí, normal. Foram as diferenças de estilo e comportamento que me interessaram.
Pra começar, aqui eles não têm ritmo. Não têm, ponto. Algumas pessoas até dançam na batida da música, mas a maioria abstrai o que está tocando e inventa sua própria cadência, algo entre uma sacudida e uma tentativa de rebolado.
O jeito de se vestir de alguns é peculiar, já que certos meninos não largam de seus chapéus e certas meninas não abrem mão de suas echarpes nem mesmo numa pista de dança quente. E não vi ninguém suado, hein!
Também achei surpreendente a intimidade que as pessoas de um mesmo grupo pareciam ter entre si, já que cada hora que eu olhava, achava um novo par formado entre as mesmas pessoas. Do tipo: “Ih, a loirinha pegou o cabeludo. Não, acho que ela está com o ruivo. Ué, ela ta pegando a japa? Ah, não, acho que ela ta ficando com aquele outro cabeludo. Quem ta pegando o ruivo é a japa.” Na verdade, em nenhuma das interações vi beijo, então acho que na real ninguém estava pegando ninguém, o que é ainda mais curioso. Não que dançar com outra pessoa de forma, digamos, sensual, seja incomum no Brasil; só não achei que fosse comum na França. E de certa forma, é um tipo de sensualidade diferente, que aparenta um pouco forçada. Como contraponto, por exemplo, os espanhóis também dançam colado e às vezes são pares de pessoas que nem se conhecem entre si, mas isso lá me pareceu mais natural do que aqui. Ou talvez eu esteja viajando, sei lá.
Agora diferente mesmo foi andar do 2ème até o 7ème a pé às 03h30 da manhã sem medo de ser assaltada. Cansativo, mas impagável.
Pra começar, aqui eles não têm ritmo. Não têm, ponto. Algumas pessoas até dançam na batida da música, mas a maioria abstrai o que está tocando e inventa sua própria cadência, algo entre uma sacudida e uma tentativa de rebolado.
O jeito de se vestir de alguns é peculiar, já que certos meninos não largam de seus chapéus e certas meninas não abrem mão de suas echarpes nem mesmo numa pista de dança quente. E não vi ninguém suado, hein!
Também achei surpreendente a intimidade que as pessoas de um mesmo grupo pareciam ter entre si, já que cada hora que eu olhava, achava um novo par formado entre as mesmas pessoas. Do tipo: “Ih, a loirinha pegou o cabeludo. Não, acho que ela está com o ruivo. Ué, ela ta pegando a japa? Ah, não, acho que ela ta ficando com aquele outro cabeludo. Quem ta pegando o ruivo é a japa.” Na verdade, em nenhuma das interações vi beijo, então acho que na real ninguém estava pegando ninguém, o que é ainda mais curioso. Não que dançar com outra pessoa de forma, digamos, sensual, seja incomum no Brasil; só não achei que fosse comum na França. E de certa forma, é um tipo de sensualidade diferente, que aparenta um pouco forçada. Como contraponto, por exemplo, os espanhóis também dançam colado e às vezes são pares de pessoas que nem se conhecem entre si, mas isso lá me pareceu mais natural do que aqui. Ou talvez eu esteja viajando, sei lá.
Agora diferente mesmo foi andar do 2ème até o 7ème a pé às 03h30 da manhã sem medo de ser assaltada. Cansativo, mas impagável.
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Conversas imaginárias
Eu tenho o estranho hábito de conversar com as pessoas na minha cabeça. Não sei se é normal, mas não me importa. Crio conversas elaboradas, com perguntas e opções de respostas, ações e reações. Só que isso está ficando muito difícil aqui em Paris por causa da minha já amplamente citada pouca familiaridade com o idioma francês.
Outro dia, tentei bater um papo com o vendedor da loja de chapéus na qual eu comprei uma luva que não me serviu bem. Eu começava a tentar formar a frase em francês, mas só me vinham palavras soltas: luvas, mãos frias, eu quero trocar. E aí o vendedor respondia que não podia e eu pensava: recibo, direito do consumidor, eu exijo. Nada ficava bem elaborado e eu desisti de conversar com ele. Quando eu fui de fato trocar as luvas, consegui de alguma forma me expressar bem, ele me entendeu e foi um fofo: não só me deixou devolver as luvas como me deu desconto nos itens que eu peguei em troca.
Minha conversa atual é com o dono do meu apartamento. Pergunto de forma indignada por que ele não me avisou antes de cancelar a televisão a cabo e – sacrilégio dos sacrilégios – a internet. No dia em que as coisas saíram do ar eu fiquei ensandecida, bati na porta do escritório dele, mas ele não estava lá. Ele nunca está lá. Tenho discutido menos com o sujeito desde ontem, já que descobri um restaurante aqui perto que tem wi-fi e isso abrandou minha crise de abstinência de internet. Hoje também descobri que tem uma rede wi-fi da Orange que pega aqui em casa. É paga por hora e a hora não é barata. Além disso, a conexão é péssima e ainda tenho que fazer uma gambiarra na conexão do laptop toda vez que entro, mas é melhor que nada. Tenho feito conexões fracionadas pra ficar menos longe do resto do mundo: posso conversar de verdade com pessoas de verdade, mesmo que seja por email ou pelo blog.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Troca de turma com surfistas
Ainda não consegui tirar uma foto decente do navio. Nos lugares a que tenho acesso, só dá pra ver um monte de estruturas sem muito sentido aos olhares leigos. Meu senso de didática pede ângulos mais panorâmicos e eles só podem ser alcancados no dia em que estiver indo embora, nos barquinhos de troca de turma chamados “surfers”. Aí vou conseguir uma distância boa pra foto!

Engraçado esse termo, “surfer”. No meu primeiro dia embarcado na África, na reunião de turno, falaram que um surfer quase bateu na plataforma ("This morning a surfer almost crashed on the plataform"). Minha viagem tinha durado 14 horas, eu tava cansado e com o número “5 semanas de embarque” martelando na cabeça . É muito ridículo, eu sei, mas por uns 2 ou 3 segundos pensei que um surfista quase tinha batido na plataforma. Ainda acrescentei mentalmente “poxa, aqui rola onda?! Caramba, África é bizarro!”. Ainda bem que guardei esse pensamento pra mim.

Engraçado esse termo, “surfer”. No meu primeiro dia embarcado na África, na reunião de turno, falaram que um surfer quase bateu na plataforma ("This morning a surfer almost crashed on the plataform"). Minha viagem tinha durado 14 horas, eu tava cansado e com o número “5 semanas de embarque” martelando na cabeça . É muito ridículo, eu sei, mas por uns 2 ou 3 segundos pensei que um surfista quase tinha batido na plataforma. Ainda acrescentei mentalmente “poxa, aqui rola onda?! Caramba, África é bizarro!”. Ainda bem que guardei esse pensamento pra mim.
Maíra sem Internet
Assim como num escritório pode faltar tudo menos a máquina de café, Maíra perdeu a única coisa que não poderia sumir lá em casa: internet. Raiva, indignação e senso de desamparo são apenas alguns sentimentos rondando sua cabeça.
Acontece que o dono do apartamento resolveu cortar a internet e a TV (que nunca teve som) pra trocar o provedor. Logicamente não fomos informados com antecedência, claro né... senão ficava fácil demais. Diz a Maíra que o processo dura umas 2 semanas. Nesse meio tempo, minha doce japinha fica sem ter como atualizar o blog.
Enquanto isso mando algumas bobagens sobre minha estadia no navio. Nada a ver com Paris, cidadezinha provinciana, e sim com o grande, enorme, sem fim e sem saída, alto mar africano.
Preocupação: fico sem minha editora nesse meio tempo, se virem alguma coisa escrita errado ignorem. Ah, acentos também são um problema no meu teclado inglês.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Pílulas de beleza
É fácil, muito fácil, engordar em Paris. A cada esquina tem uma padaria e/ou uma doceria linda de morrer com quitutes fantásticos de se olhar e, principalmente, de se comer. Aqui perto de casa mesmo tem uma tal Maison Auvray que eu tenho evitado até de passar perto, porque tem uns doces absurdos e um pão que eu não quero nem comentar. Pra ter uma noção da gravidade da coisa, a única frase em francês que eu tenho falado com a maior naturalidade é "Bonjour! Une tartelette au citron, s'il vous plaît".
Mas pra quem quer emagrecer a indústria francesa também é generosa. Todo supermercado tem refeições prontas do Weight Watchers, por exemplo. Os produtos das farmácias, então, são de enlouquecer: tem pílula para celulite, retenção hídrica, acelerador de metabolismo, flacidez... mil e uma opções pra qualquer problema, real ou imaginário, que uma mulher possa ter. Aqui, as pílulas para celulite da Innéov e da Oenobiol, que andam em voga nos noticiários de beleza do Brasil, custam bem menos do que aí - mesmo considerando que pelas bandas de cá o gasto é em euros. Estou querendo experimentar, mas primeiro tenho que mudar meus caminhos para evitar passar nas padarias, docerias e barraquinhas de crepe de Nutella.
Pensando bem, vai ser bem difícil, mas não custa tentar. Bem que eles podiam vender força de vontade em caixinha.
Mas pra quem quer emagrecer a indústria francesa também é generosa. Todo supermercado tem refeições prontas do Weight Watchers, por exemplo. Os produtos das farmácias, então, são de enlouquecer: tem pílula para celulite, retenção hídrica, acelerador de metabolismo, flacidez... mil e uma opções pra qualquer problema, real ou imaginário, que uma mulher possa ter. Aqui, as pílulas para celulite da Innéov e da Oenobiol, que andam em voga nos noticiários de beleza do Brasil, custam bem menos do que aí - mesmo considerando que pelas bandas de cá o gasto é em euros. Estou querendo experimentar, mas primeiro tenho que mudar meus caminhos para evitar passar nas padarias, docerias e barraquinhas de crepe de Nutella.
Pensando bem, vai ser bem difícil, mas não custa tentar. Bem que eles podiam vender força de vontade em caixinha.
Simplificando a vida
Me mudei! Cansei de Paris com suas belezas, gente bonita, lojinhas e restaurantes chiques. Vim morar num monte de aço flutuando na costa africana. Pretendo ficar aqui por cinco semanas ou enquanto meu gerente e senhor quiser. Isso mesmo, prefiro estar num navio com mais 250 homens, que nem sempre tomam banho e usam a mesma camisa por semanas, do que beber um bom vinho na Rue Cler com minha esposa e ligar pros meus pais pelo Skype. Chega! Capitalismo desenfreado que nos faz gostar de comer tortas fantásticas e visitar ruas cheias de vida e animação. Aqui é tudo mais simples: trabalhar por 12 horas todos os dias, com pausa de 20 minutos pra comer, dormir e prender a respiração de vez em quando nos corredores. Pronto, simples como a vida tinha que ser não é?! É né... já que não tem jeito mesmo.
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