domingo, 8 de novembro de 2009

Je ne suis pas là

Não, eu não estou em Paris no momento. Vim curtir um calorzinho na cidade natal, e enquanto todo mundo reclama do bafão que está fazendo aqui na primavera, eu fico feliz da vida, suando, pensando que seria pior passar friaca no outono parisiense.

Só que eu já tinha alguns textinhos mais ou menos prontos pra colocar no blog, e também vou reeditar algumas viagens que fiz antes de morar em Paris. Então, embora eu não esteja lá (e por , eu quero mesmo dizer , porque em francês pode significar , mas também pode significar aqui), o espaço não vai ficar totalmente abandonado. Deem uma passadinha de vez em quando :-)

E para os da terrinha, me avisem quando tiver alguma coisa legal rolando, porque eu to louca de vontade de rever todo mundo!

sábado, 7 de novembro de 2009

Montanhas Atlas

Já que estávamos em Marrakech, resolvemos conhecer a região das Montanhas Atlas, que fica mais ou menos perto de lá.

A primeira parada foi numa loja berbere que, em tese, vendia produtos mais baratos que os de Marrakech. Só que os preços eram bem absurdos, e acabamos nem comprando nada.

Depois paramos em Sitti Fatma, onde fizemos uma trilha morro acima para ver uma cachoeira. Estava meio frio, mas mesmo assim tinha gente mergulhando.

Sitti Fatma

Tem uma maluca na cachoeira de roupa!

Cachoeira vista de cima

Refrigeração marroquina

Tapetes em Sitti Fatma

Também fomos no Jardin du Safran, onde há uma grande plantação de açafrão. Pena que ainda não estava na época das flores...

Jardin du Safran

Pra terminar, passamos numa loja de uma cooperativa Argan, onde é possível ver mulheres da região quebrando as nozes de argan para fazer óleo e diversos outros produtos derivados.

Cooperativa Argan

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Pra lá de Marrakech

Antes de começar a falar de Marrakech, eu queria dizer uma coisa. Eu sou, sim, uma pessoa relativamente fresca. Mas também sou flexível e safa, e há que se considerar que eu sou cria da ECO e fui a todos os ENECOMs organizados durante o meu tempo de faculdade, ou seja, se tiver que passar perrengue, eu passo.

Dito isso, vou contar sobre a nossa recente viagem pra Marrakech.

Pra começar, uma escolha equivocada no planejamento fez com que ficássemos hospedados no pior lugar da cidade, a Medina. Escolhemos um hotel lá porque o centro histórico da cidade é quase sempre o melhor lugar para ficar, já que os principais pontos turísticos costumam estar nele. Só que, aparentemente, essa regra se aplica a cidades européias; não a cidades de uma forma geral.

A Medina é um labirinto de ruas e becos sujos e mal iluminados, e apesar das coisas serem razoavelmente próximas umas das outras, é extremamente difícil achar o caminho; então, 70% do tempo a gente passou se perdendo. Mapa? Esquece. As ruas não são sinalizadas, e vários dos bequinhos nem aparecem na geografia oficial, ou seja, pra saber pra onde ir é preciso perguntar a um nativo. Só que o nativo cobra até pelo bom dia que dá, e qualquer informação deve ser acompanhada de uma gorjetinha.

Andar de táxi também é uma aventura, já que os motoristas tentam cobrar muito mais do que a corrida vale (não pode dar mais que 20 dirham dentro da cidade), e ainda vão parando pra todos que fazem sinal, enchendo o carro de gente.

Eu entendo que o Marrocos é um país pobre e que o turismo é uma grande fonte de lucro para eles, e que pra quem ganha em dólar ou em euro não é nenhum drama dar um trocadinho em dirham, a moeda local. Mas a obrigação, quase coação, incomoda, sabe? Parece que as pessoas já olham pra você com cifrõezinhos pulando dos olhos.

Mas enfim. Tem a parte boa também.

Apesar de mal-conservados, os prédios históricos são bem bonitos. Destaque para as Tombeaux Saadiens, um dos últimos resquícios da dinastia saadiana que vigorou em Marrakech nos séculos XVI e XVII. O mausoléu, que guarda os restos mortais do sultão Ahmed al-Mansur Saadi e de toda a sua família, só foi redescoberto em 1917.

Tombeaux Saadiens

Mosaicos das Tombeaux Saadiens

Também vale a pena conferir os mosaicos e jardins do Palais Bahia, um palácio construído no século XIX para abrigar o harém do grão-vizir Ba Ahmed Ben Moussa.

Palais La Bahia

O minarete da Koutobia, que se vê de praticamente toda a cidade, é um dos símbolos de Marrakech. Não-muçulmanos não podem entrar na mesquita, mas ao redor dela tem um jardim bacana e algumas escavações arqueológicas em exposição.

Koutobia

Koutobia de novo, lá no fundo

Do terraço do riad

E aí tem a praça Djeema El-Fna e toda a sua confusão de cores, aromas e sons. E quando eu digo confusão, é exatamente isso que eu quero dizer: o colorido das frutas expostas misturado com o cinza da fumaça das barracas de comida; o cheiro de churrasquinho e chá de menta misturado com o das especiarias; música dos artistas de rua misturada com o barulho das milhares de motos que cruzam a praça.

Djeema El-Fna

Djeema El-Fna de cima

Nas extremidades da Djeema El-Fna começa o labirinto dos souks, os mercados cobertos – ou camelódromos, vamos deixar de rodeios – onde se vende de tudo. Roupas, tênis, artesanato, bijuterias, prataria, tapetes, qualquer coisa que se imagine tem ali. Provavelmente tudo falsificado, naturalmente, e com o preço lá nas alturas pros bobos dos turistas. Não pergunte o preço de nada se não quiser realmente comprar, porque depois desse contato inicial o vendedor vai te perseguir, barganhar, chorar e fazer da sua vida um inferno até ele conseguir fazer a venda.

Souk

Mais afastado do centro da cidade fica o Jardin Majorelle, um jardim botânico construído pelo pintor Jacques Majorelle e posteriormente comprado e aberto ao público pelo estilista Yves Saint Laurent e seu parceiro Pierre Bergé. Os azuis, amarelos e laranjas vivos se fundem com a arquitetura de toques marroquinos, resultando num lugar único, lindo e muito tranquilo.

Jardin Majorelle

Jardin Majorelle

Também afastado da cidade fica o Palmeraie, onde todos os resorts de luxo se instalaram. Os astros de Hollywood amam a cidade porque eles se hospedam ali, bem longe do burburinho da Medina e perto das palmeiras, camelos, campos de golfe e champanhes. Quando eles ficam assim, pra lá de Marrakech, é fácil gostar de lá.

Camelos

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ainda o amigo oculto

Eu finalmente mandei meu texto sobre Paris pro Bressane! Já tá no blog dele.

Vai lá ver! :-)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Outono em La Défense

É o prenúncio do inverno. Mas é bonito demais.



segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A Paris da Tânia

Lembra um amigo oculto que eu comentei quando escrevi sobre o piquenique dos blogs mês passado? Pois é, está rolando, e agora chegou a nossa vez.

Mas vamos voltar ao começo dessa história.

A Amanda, do Petit Journal de la Porte Dorée, tirou a Luci, do Caso me Esqueçam, que tirou a Aline Mariane do São Paulo-Paris-Dakar, que tirou a Ana do ana só, que tirou a Mariana do E não é que às vezes dá tudo certo?, que tirou a Tânia do Água tem na carne, maionese é óleo, que tirou a gente, que tirou o Rodrigo do bressane blog.

Atualização (26/10/09, 15:56): Os links acima já levam direto ao post específico escrito pelo amigo oculto de cada um. Na minha pressa de adivinhar o fim da história, eu esqueci da Bel, do C'est pas vrai, que absurdo! Só vou atualizar a lista depois de terminada a brincadeira.

Então, sem mais delongas, eis Paris segundo a Tânia.

***

Quando vim morar em Paris já conhecia a cidade. Já sabia o quanto ela era bonita, já conhecia a imensidão e praticidade do seu metrô e já tinha ouvido muita gente dizer que era muito bom morar aqui. Mas nada disso me deixou menos surpresa com esta cidade maravilhosa.

Antes de vir para cá nunca tinha morado fora do Rio. Eu tinha o desejo de viver um tempo fora porque achava que seria uma experiência de vida importante. Achava interessante descobrir como é a vida numa cultura diferente e aprender a me virar num lugar distante. Além disso, eu sabia que trabalhar num laboratório de « Primeiro Mundo » era essencial para minha carreira profissional (trabalho em laboratório de pesquisa na área de biologia). Mas a verdade é que eu nunca tinha realmente imaginado minha vida fora do Rio. Sei lá, eu estava tão acostumada com a cidade que não conseguia me ver morando em nenhum outro lugar. Também não conseguia ver minha vida sem ter meus amigos por perto. Sem nossos almoços juntos no fim de semana, encontros na piscina do prédio ou sem nossas sessões de jogatina (não, não temos um cassino ilegal. Jogamos jogos de tabuleiro. Inclusive, quem se interessar é só falar que combinamos uma jogatina. Os amigos ficaram no Rio mas a casa aqui está cheia de jogos. Não é Jogo da Vida, Banco Imobiliário nem War; mas jogos bem diferentes de estilos e temáticas variados).

Enfim, o fato é que eu pedi a bolsa, ganhei e aí não tinha mais jeito: tive que tomar coragem e vir. No início deu um desespero . Era difícil compreender como cada coisa funcionava. Eu sabia que os franceses eram « carrés », mas nunca imaginei o tamanho da burocracia francesa. Uma das coisas que aprendi aqui é de nunca jogar nenhum papel fora pois alguém sempre vai te pedi-lo depois. Mas as coisas foram se acertando e eu fui me apaixonando cada vez mais pela cidade e pela vida aqui. Tem coisa mais gostosa que voltar de bicicleta à noite para casa? Dá uma sensação de liberdade inexplicável. E a quantidade de eventos como Nuit Blanche, Journée du Patrimoine, Fête de la Musique, etc?

Hoje tenho dificuldade de me imaginar saindo daqui. Sei que ano que vem volto pro Rio, mas não sei mais por quanto tempo ficarei por lá. Talvez volte pra Paris, talvez vá pra outra cidade, em outra parte do mundo, talvez fique no Rio mesmo. O fato é que Paris me mostrou o quanto é bom descobrir o mundo. Obrigada, Paris.

PS. Nossa, foi mal pelo final cafona.


***

Já estou terminando o post a ser publicado no blog do Rodrigo. Passem lá! E não deixem de visitar também os outros blogs que participaram da brincadeira. Tá todo mundo aí do lado na nossa listinha de blogs amigos.

E que venham outros eventos!

domingo, 25 de outubro de 2009

Honestidade

Na Alemanha, os políticos já se assumem no nome do partido.

Acho digno.