sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Liberdade, Fraternidade e... Igualdade?

Com a afirmação de que a proibição do casamento homossexual está de acordo com a Constituição, a Justiça francesa confirmou hoje que não, gays não podem se casar. A decisão foi anunciada em resposta a uma ação apresentada por Corinne Cestino e Sophie Hasslauer, duas mulheres que vivem juntas há mais de dez anos sob um contrato denominado PACS. Este regime de união civil, que é aberto a casais heterossexuais e homossexuais, não é tão completo quanto o casamento por não abranger diversos aspectos importantes do direito à sucessão. O casal tem quatro filhos: uma menina de dezesseis anos, que é fruto da união anterior de Corinne, e mais três meninos concebidos através de inseminação artificial na Bélgica.

Corinne, Sophie e seus quatro filhos. Fonte da foto: AFP

No direito francês, o casamento ainda é definido como a união exclusiva entre um homem e uma mulher, mesmo que este conceito já tenha sido revisto em diversos países do mundo. A Corte Constitucional foi evasiva na sua declaração e assim adiou mais uma vez a questão, alegando que cabe ao Legislativo decidir se o texto muda ou não. O Parlamento, por sua vez, não vai querer mexer num assunto espinhoso desses; pelo menos não até a campanha presidencial de 2012, quando possivelmente a questão do casamento gay vai criar uma verdadeira batalha política: embora não dê para generalizar, a esquerda é a favor e a direita é muito, muito contra.

Mas, por enquanto, antes e ao invés de levantar bandeiras por votos, todo mundo está levantando o braço e dizendo: "comigo não tá!". Corinne, Sophie, seus filhos e todas as demais famílias formadas por casais gays na França vão ter que esperar até as eleições para, quem sabe, serem reconhecidas como famílias de verdade. Na França, ao que parece, o direito à igualdade depende da opção sexual.

3 comentários:

Anônimo disse...

Pois é, a questão da Liberdade, Fraternidade e Igualdade, na prática, só serve para a história... Antes de conhecer a França, sempre pensei que todos fossem iguais perante a lei e que os franceses fossem liberais no que tange a sexualidade. Mas quando vi aquela sociedade patriarcal, me decepcionei... Os "que falam como patos" (quebequenses) dão de 10 a 0 nos franceses...
Ítalo, Recife/PE

Conexão Paris disse...

Estamos longe de casa, não é mesmo?
Um dia tomamos um café?
Lina

Maíra Kimura disse...

Pois é, bem longe... mas Paris faz valer a pena :-)

Claro, vamos tomar um café sim! Combinemos.