Eu juro que tentei ser uma pessoa fisicamente ativa quando cheguei em Paris. Fiz matrícula no Club Med Gym, paguei um ano adiantado e comecei animadona pra perder uns quilinhos, diminuir o estresse e a dor na coluna. Mas aí foi ficando frio e foi dando cada vez mais preguiça de sair de casa e andar vinte minutos pra chegar lá, e eventualmente eu acabei assumindo que eu detestava a academia, detestava os professores, detestava a série de musculação ridícula que me passaram e parei de ir.
Um belo dia eu descobri uma estúdio de yoga e pilates bem pertinho de casa e comecei a fazer aulas, animadona de novo. Só que deu agosto e em agosto tudo fecha em Paris, inclusive estúdios de yoga e pilates. Quando teve a rentrée em setembro, que é o equivalente francês da volta do Carnaval e quando tudo começa a funcionar de verdade, eu fiquei enrolando pra voltar, ficou frio de novo e eu acabei nunca mais voltando.
Aí semana passada eu comprei pela internet um vélo elliptique, que é aquele aparelho que no Brasil a gente chama de elíptico ou transport. Chegou sexta de manhã e eu fiquei mais uma vez animadona. Só tinha me esquecido que aqui as coisas não são tão fáceis assim e que eu teria que montar meu vélo sozinha, o que não me parecia nada legal depois que eu penei pra realizar o simples ato de tirar as peças de dentro da caixa. O manual de montagem foi ainda mais cruel ao dizer que era necessário o trabalho conjunto de duas pessoas pra realizar a tarefa.
Dez horas e algumas crises de nervos depois, consegui finalmente terminar de montar o troço. Ironicamente, a atividade me custou uma puta piora na minha dor na coluna e um bocado de estresse, que eu por consequência aliviei comendo todas as (poucas, ainda bem) coisas doces da despensa. Tô moída e desanimadona. Mas dessa vez, depois desse trabalho todo, vai ter que dar certo.
domingo, 12 de dezembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
As bonequinhas de Alain Delorme
A menina tem um bolo. Ela olha para a câmera com um sorriso que tem um quê de forçado, ou mal sorri. Um adulto, cuja presença é aparentemente secundária na foto, a guia de forma a mantê-la na posição correta. A menina é perfeita, tal qual uma boneca, tal qual o bolo que está na sua frente.
As imagens da série "Little Dolls", do fotógrafo francês Alain Delorme, de tão assépticas chegam a ser um pouco assustadoras. A técnica utilizada consiste na manipulação da imagem para que o rosto de cada menina, independente de etnia, sofra uma espécie de normatização plástica e fique semelhante a uma boneca Barbie. Assim, o que parece uma linda foto publicitária de repente se revela uma crítica pesada sobre os padrões estéticos e a exigência pela perfeição. Dessa paranoia nem mesmo os pequenos estão livres – segundo o fotógrafo, a criança nunca foi tão protegida e, paradoxalmente, tão destacada como um objeto de comércio. As mãos que mantêm as crianças sob controle nas fotos, afinal, são propositais.
Para ver as outras fotos da série e conhecer mais sobre o trabalho de Delorme, o site dele é esse aqui.
As imagens da série "Little Dolls", do fotógrafo francês Alain Delorme, de tão assépticas chegam a ser um pouco assustadoras. A técnica utilizada consiste na manipulação da imagem para que o rosto de cada menina, independente de etnia, sofra uma espécie de normatização plástica e fique semelhante a uma boneca Barbie. Assim, o que parece uma linda foto publicitária de repente se revela uma crítica pesada sobre os padrões estéticos e a exigência pela perfeição. Dessa paranoia nem mesmo os pequenos estão livres – segundo o fotógrafo, a criança nunca foi tão protegida e, paradoxalmente, tão destacada como um objeto de comércio. As mãos que mantêm as crianças sob controle nas fotos, afinal, são propositais.
Para ver as outras fotos da série e conhecer mais sobre o trabalho de Delorme, o site dele é esse aqui.
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Rua dos meninos maus
Inaugurando a seção de nomes de ruas geniais de Paris, voilá a fantástica Rue des Mauvais Garçons, localizada no 4ème arrondissement.
Não se sabe quando a rua entrou oficialmente para a geografia oficial da cidade, mas documentos antigos mostram que já na época de Louis VII, lá pelos idos do século XVII, ela já era habitada e atendia pelo nome de Rue Chartron. Em 1525, com a captura do rei François I na Batalha de Pavia, Paris entra numa fase turbulenta e o crime aumenta na capital. Aparentemente, os bandidos andavam bastante ali por aquela via do Marais, que acabou se tornando a Rue des Mauvais Garçons, ou rua dos meninos maus.
Muito tempo depois, a rua virou também nome de música...
Rue des Mauvais Garçons
Roxane Krief e Julien Régnier
J'me sape un peu salope
Histoire qu'on r'garde que moi
J'me fume clope sur clope
Et pas qu'en chocolat
Oh mais rassurez-vous !
C'est pas la seule chose que j'allume
J'enchaîne les rendez-vous
Les consomme et les consume
Et dire que j'fous ma vie en l'air
A flâner rue des Mauvais Garçons
Pour quelques parties d'jambes à terre
Et soul'ver mes jupons
Et soul'ver mes jupons
J'suis pas ce genre de fille
D'une de celles qu'on passe à l'as
Dame de coeur, je fais l'pari
Que ton roi je le ramasse
A la p'tite cuiller
Je n'en ferai qu'une bouchée
Valets ou jokers
J'les mène tous par l'bout du nez
Et dire que j'fous ma vie en l'air
A flâner rue des Mauvais Garçons
Me noyer dans les verres de bière
Et noircir mes poumons
Et noircir mes poumons
J'suis d'la meilleure école
Celle qu'on appelle buissonnière
Les papillons, les batifoles
J'suis calée en la matière
Allez-y, déchaînez-vous !
Jetez-moi la première pierre
Oh oui, mais que voulez-vous ?
Faut bien qu'j'assure mes arrières
Et dire que j'fous ma vie en l'air
A flâner rue des Mauvais Garçons
Et si j'pouvais faire marche arrière
Et fuir les vagabonds
Et fuir les vagabonds
Et dire que j'fous ma vie en l'air
A flâner rue des Mauvais Garçons
Et si on pouvait éteindre les lumières
Et compter les moutons
Et compter les moutons
Et compter les moutons
Et compter les moutons
Et compter les moutons
Et compter les moutons
Não se sabe quando a rua entrou oficialmente para a geografia oficial da cidade, mas documentos antigos mostram que já na época de Louis VII, lá pelos idos do século XVII, ela já era habitada e atendia pelo nome de Rue Chartron. Em 1525, com a captura do rei François I na Batalha de Pavia, Paris entra numa fase turbulenta e o crime aumenta na capital. Aparentemente, os bandidos andavam bastante ali por aquela via do Marais, que acabou se tornando a Rue des Mauvais Garçons, ou rua dos meninos maus.
Muito tempo depois, a rua virou também nome de música...
Rue des Mauvais Garçons
Roxane Krief e Julien Régnier
J'me sape un peu salope
Histoire qu'on r'garde que moi
J'me fume clope sur clope
Et pas qu'en chocolat
Oh mais rassurez-vous !
C'est pas la seule chose que j'allume
J'enchaîne les rendez-vous
Les consomme et les consume
Et dire que j'fous ma vie en l'air
A flâner rue des Mauvais Garçons
Pour quelques parties d'jambes à terre
Et soul'ver mes jupons
Et soul'ver mes jupons
J'suis pas ce genre de fille
D'une de celles qu'on passe à l'as
Dame de coeur, je fais l'pari
Que ton roi je le ramasse
A la p'tite cuiller
Je n'en ferai qu'une bouchée
Valets ou jokers
J'les mène tous par l'bout du nez
Et dire que j'fous ma vie en l'air
A flâner rue des Mauvais Garçons
Me noyer dans les verres de bière
Et noircir mes poumons
Et noircir mes poumons
J'suis d'la meilleure école
Celle qu'on appelle buissonnière
Les papillons, les batifoles
J'suis calée en la matière
Allez-y, déchaînez-vous !
Jetez-moi la première pierre
Oh oui, mais que voulez-vous ?
Faut bien qu'j'assure mes arrières
Et dire que j'fous ma vie en l'air
A flâner rue des Mauvais Garçons
Et si j'pouvais faire marche arrière
Et fuir les vagabonds
Et fuir les vagabonds
Et dire que j'fous ma vie en l'air
A flâner rue des Mauvais Garçons
Et si on pouvait éteindre les lumières
Et compter les moutons
Et compter les moutons
Et compter les moutons
Et compter les moutons
Et compter les moutons
Et compter les moutons
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Chuva de cocô
Nas notícias nacionais tem o Sarkozy deportando os ciganos romenos e começando uma cruzada contra os imigrantes ilegais. Aí a ONU critica, o Vaticano reclama, um padre de Lille reza para que o presidente francês tenha um ataque cardíaco. Com um pouco menos de destaque tem a continuação do affaire Bettencourt, com o ministro do trabalho Eric Woerth chorando porque – coitado – está sendo vítima de um "apedrejamento midiático" por causa do seu envolvimento no caso.
Nas notícias sobre esportes ainda repercute a ridícula atuação da França na Copa e a consequente suspensão do Anelka da seleção por ter discutido com o técnico Domenech e desencadeado a greve dos bleus. Descobriu-se ainda que vários jogadores do time campeão do mundo de 98 tiveram análises de sangue suspeitas antes da disputa da final da Copa, aquela que eles ganharam da gente.
Aí no noticiário regional do Sudoeste francês tem a história de uma cidade chamada Saint-Pandelon que há meses sofre com uma misteriosa chuva de merda.
Tudo que sobe, desce.
Nas notícias sobre esportes ainda repercute a ridícula atuação da França na Copa e a consequente suspensão do Anelka da seleção por ter discutido com o técnico Domenech e desencadeado a greve dos bleus. Descobriu-se ainda que vários jogadores do time campeão do mundo de 98 tiveram análises de sangue suspeitas antes da disputa da final da Copa, aquela que eles ganharam da gente.
Aí no noticiário regional do Sudoeste francês tem a história de uma cidade chamada Saint-Pandelon que há meses sofre com uma misteriosa chuva de merda.
Tudo que sobe, desce.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Microconto: Beabá
A bala cruzou dura e fatal. Gus havia irritado Jô levando moças na orla para que, roçadas, saíssem todas úmidas. Vociferou: xongas; zarpou.
Microconto: Se
Conjugava amar em todas as pessoas enquanto se lembrava do futuro do pretérito que nunca seria perfeito.
domingo, 4 de julho de 2010
Adieu les jaunes
Num gesto tardio e triste, tirei hoje a bandeirona da janela. Mas a derrota do Brasil tem pelo menos um ponto positivo, que é não ter mais que ouvir os comentaristas da TV francesa chamarem a seleção de seleçaô, Robinho de Rubinhô, Juan de Juana, Lúcio de Lutchiô e Maicon de Maicona.
Mas o microfone de bigode vai deixar saudades. Toda vez que eles apareciam era risada garantida.
Mas o microfone de bigode vai deixar saudades. Toda vez que eles apareciam era risada garantida.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
A única bandeira do 7ème arrondissement
Devido ao pífio desempenho da França na Copa, ainda não consegui descobrir se o povo daqui se anima no mundial que nem a gente. Mas acredito que não, não mesmo. Tudo bem que eles já estavam totalmente desanimados com a seleção francesa, com a entrada roubada da Irlanda pela mão do Henry e com o detestado técnico Domenech, mas peraí! É Copa, pô, é festa, tem que colocar bandeira, enfeitar a rua, fazer barulho...
Não? Ah, não, isso é coisa de brasileiro. Francês é muito chique pra fazer isso. E provavelmente alguns devem ter bufado ao passar na frente da minha casa, porque eu coloquei uma bandeirona do Brasil na minha janela – por dentro, claro, porque eles são chiques mas roubam até bateria de campainha se der mole.
Não? Ah, não, isso é coisa de brasileiro. Francês é muito chique pra fazer isso. E provavelmente alguns devem ter bufado ao passar na frente da minha casa, porque eu coloquei uma bandeirona do Brasil na minha janela – por dentro, claro, porque eles são chiques mas roubam até bateria de campainha se der mole.
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