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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Rastreamento de encomendas na França

Eu tenho que confessar que não sou fã dos serviços aqui da França. Essa cisma que eles têm de fazer tudo por carta é super irritante, nada eficiente e extremamente anacrônica. Só pra dar um exemplo básico, outro dia eu estava fazendo uma compra pela internet e precisava confirmar a operação digitando um código que eu receberia por SMS. O problema é que eu não tinha celular na época em que abri a conta, então eles não tinham o número pra mandar a mensagem. Fácil de resolver: é só entrar no site do banco e cadastrar, certo? PÉÉÉM! Errado! Tem que entrar no site do banco, baixar um formulário em PDF, preencher à mão, enviar pelos correios, esperar uns dias até receber a confirmação do cadastro e aí sim finalizar a compra. Praticidade zero.

Mas talvez por causa desse apego pelo sistema postal, várias facilidades referentes ao segmento acabaram sendo desenvolvidas. Uma das mais legais é a conta do twitter @suivi_avec_lisa, um bot criado pelo grupo La Poste (os Correios daqui) com o objetivo de acompanhar encomendas registradas. É só seguir a conta mencionada, esperar que ela te siga – é automático – e em seguida mandar uma DM pra ela com o número da encomenda.


A partir daí, todas as vezes em que o status da entrega for atualizado, você recebe uma DM informando o paradeiro do seu pacote ou carta.

Bacana, né?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O vidro do seu carro alugado foi quebrado: e agora?

Lembra que eu falei que quebraram o vidro do nosso carro alugado em Nice? Pois é. Vou contar o resto da história. Se acontecer com você, saiba o que fazer, porque a gente teve que descobrir na base da porrada.


Na esmagadora maioria das vezes, o seguro básico que a gente contrata pela locadora não cobre problemas com o vidro. E isso, amigos, a gente só descobre quando quebram o nosso.

A primeira providência é tentar consertar o carro por conta própria. Pode confiar que fica muito mais barato. Para ter uma noção, o vidro do nosso Peugeot 308 custava 161€ na própria Peugeot. Na Carglass, especializada em conserto de vidros, custava uns duzentos. Mas a peça estava em falta em todas as lojas da Peugeot e da Carglass que fomos, e acabamos tendo que devolver o carro na Europcar com o vidro quebrado mesmo.

Em uma semana, chegou a fatura avisando que eles já tinham descontado do nosso cartão a modesta quantia de 1.049,16 pelo vidro quebrado. Euros, vale lembrar.

O QUEEEEEEEEEEE?

Aí o Rafa fez um email dizendo mais ou menos assim:

"Cara Europcar, acho que houve algum engano. Vocês cobraram 1.049,16 por um pequenino vidro. Já alugamos carros anteriormente com vocês e ficamos plenamente satisfeitos, e queremos manter o bom relacionamento. Então, caceta, vejam que esse vidro quebrado foi culpa de algum bêbado filho da puta que quebrou o carro pra ver se dentro dele tinha algum dinheiro dos turistas babacas aqui. Mas não somos tão babacas assim a ponto de deixar dinheiro dentro do carro, principalmente porque vocês colaram um adesivo de um metro e meio no vidro traseiro com um Europcar enorme estampado, e vamos combinar que isso era um mega chamariz para bêbados filhos da puta que querem roubar dinheiro de turistas babacas. Então, se a gente raciocinar bem, a culpa foi de vocês. Mas a gente é legal, então vamos fazer uma coisa? Por que não dividimos o prejuízo? Vocês devolvem a porra do dinheiro já surrupiado da nossa conta, porque está fazendo muita falta, e em troca a gente paga o valor justo pelo vidro quebrado. Hein? Hein?".

Umas duas semanas depois eles devolveram 762,25 em crédito no nosso cartão. Prejuízo de 286,91. Uma merda, claro, mas é melhor que mil euros, né?

domingo, 10 de maio de 2009

A carne

A França tem fama de ter carne cara e ruim, e essa fama é meio que verdade. Não comi nenhuma carne até agora que seja tão boa quanto a que a gente come no Brasil em qualquer churrascaria de beira de estrada. Agora que comecei a conhecer os cortes, já sei mais ou menos quais são os melhores, mas mesmo assim a carne em geral é um pouco mais dura, tem que mastigar muito e não tem tanto gosto.

Mas enfim. Pra facilitar a minha vida depois de algumas experiências frustradas, procurei logo um filé mignon, que imaginei ter obviamente o nome de filet mignon na França. Nada. Só achava filet mignon de porco, nunca de boi. Bem, pensei, o nome não deve ser esse mas o corte tem que existir, pois é claro que a anatomia de um boi francês é igual à de um boi brasileiro. Daí um dia desses comprei a carne mais cara do mercado pra ver se era: custava 40€ o quilo (cada pacote tem dois filés de 100 ou 150 gramas) e tinha o sugestivo nome tournedos estampado na embalagem. Bingo: era o nosso famoso medalhão de filé mignon, com o bacon em volta e tudo. Depois, olhando o rótulo direitinho, descobri que filé mignon aqui é simplesmente filet, e que apesar de não ser tão macio e saboroso quanto o brasileiro, é quase bom. Mas o preço... ai! Não dá pra comer todo dia, não.

Ou seja, na França a carne ou é cara ou é ruim, logo é de se esperar que não seja um produto tão popular como é no Brasil. Na tentativa de fazer o povo consumir mais, o Centre d'Information des Viandes (Centro de Informação das Carnes) lançou esse ano uma campanha de incentivo destacando os benefícios de uma dieta carnívora. Nesse site, o público pode conferir os tipos de corte e como cada um deve ser preparado. Fiz uma pesquisa e descobri a tradução de alguns dos cortes mais comuns mostrados no site.
  • Aiguillette baronne: maminha
  • Basses côtes: acém
  • Bavette d’aloyau: fraldinha
  • Côte de bœuf: costela
  • Dessus de tranche: capa de contrafilé
  • Entrecôte: ponta do contrafilé
  • Faux-filet: contrafilé de lombo
  • Filet: filé mignon
  • Jarret: músculo
  • Onglet: lombinho
  • Paleron: paleta
  • Poitrine: peito
  • Rond de tranche: patinho
  • Rumsteck: alcatra

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A quase multa do metrô

Uma dica muito importante para quem vai visitar Paris ou para quem mora aqui e anda frequentemente de metrô: nunca jogue o bilhete fora até sair da sua estação de destino.

Tudo bem que quem mora aqui sabe disso, e confesso que eu até também já sabia. Mas como para entrar em qualquer estação a gente tem que colocar o bilhete na catraca ou validar o cartão Navigo, não acreditava que eles fiscalizassem muito. Só que por causa dos espertinhos que pulam a catraca ou dão algum outro jeito de entrar sem pagar, o pessoal do metrô volta e meia faz umas batidas na saída das estações.

E numa dessas eu quase me dei mal. Indo pra aula de francês, resolvi experimentar um caminho novo no metrô e, ao invés de descer em Madeleine como sempre faço, troquei pra linha 3 e desci em Havre-Caumartin. Paredão de fiscais na saída. Gelei mas fiz cara de paisagem, só que não adiantou.

– Bonjour, seu bilhete por favor.
– Não tenho, joguei fora.
– Procura na bolsa.
– Não está comigo, joguei no lixo depois que validei.
– Vai ter que pagar uma multa de quarenta euros.


Pânico. Comecei a falar em inglês.

– Mas como? Eu passei o bilhete na catraca para entrar, como mais eu poderia ter entrado? Não sou daqui, desculpe, eu não sabia que tinha que guardar o bilhete.

Cara feia da mulher. Eu pensando que não era nem pra eu ter descido ali. E, juro, é ridículo, mas contemplei seriamente a ideia de sair correndo.

– Olha, olha! Acabei de comprar dez bilhetes. Conta aí, tem nove. Eu acabei de usar o que falta.

Cara muito feia da mulher contando os bilhetes. A cara adquire então um certo ar de desprezo e ela diz:

– Tudo bem, vamos fazer o seguinte: eu vou rasgar um desses nove que você tem. E você agora fique sabendo que não pode jogar o bilhete fora até sair do metrô.
– Merci, merci beaucoup, madame. Eu não vou mais fazer isso.

Um bilhete de metrô foi um preço até barato que eu paguei pela minha burrice. Se fossem quarenta euros, eu estava chorando até agora.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Chèque annulé

A burocracia francesa é um troço muito esquisito mesmo. Aqui eles exigem pra tudo um documento chamado RIB (Relevé d'Identité Bancaire), que é um papel com as suas coordenadas bancárias, como número de conta, agência, nome do titular, endereço do banco. Até aí, tudo bem. O que eu achei bizarro foi o tal do chèque annulé que algumas instituições pedem. Trata-se de um cheque anulado, como o nome em francês já dá a entender, e você tem que preenchê-lo com "zero" e "annulée". Serve para informar as suas coordenadas bancárias, como número de conta, agência, nome do titular, endereço do banco. Alguma semelhança com o RIB?

Mas isso ainda não é o pior. A incoerência é que às vezes eles pedem o RIB e o chèque annulé. Não sei se eu tenho cara de quem falsifica RIB ou se alguns prestadores de serviço são paranóicos, mas já aconteceu comigo. Ou então, vai ver, eles se divertem com a desgraça alheia.

A propósito, aqui eles usam muito cheque. Não sei se é porque tem que pagar uma mensalidade pra usar o cartão de débito (uns 11€ por mês) ou se é hábito mesmo. Então, aqui vai um servicinho de utilidade pública pra variar um pouco das baboseiras: como preencher um cheque francês (é bem parecido com o cheque brasileiro, mas a formatação é um pouco diferente). A fonte da informação é o site Lost in France.


1) Payez contre cheque: Aqui é onde se escreve o valor do cheque por extenso. Pode-se escrever os centavos em letras ou números.

2) €: O valor em números.

3) À: O nome da pessoa ou empresa a quem se destina o cheque.

4) Fait à (ou só À): A praça (cidade) onde o cheque foi preenchido.

5) Le: Data do cheque.

6) Signature: Assinatura. Atenção, porque às vezes não tem escrito Signature, só tem um espaço maior em branco onde se supõe que tem que assinar.