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domingo, 20 de março de 2011

Super lua em Paris?

Já era o fim da noite, mas a lua continuava bonita.



sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Liberdade, Fraternidade e... Igualdade?

Com a afirmação de que a proibição do casamento homossexual está de acordo com a Constituição, a Justiça francesa confirmou hoje que não, gays não podem se casar. A decisão foi anunciada em resposta a uma ação apresentada por Corinne Cestino e Sophie Hasslauer, duas mulheres que vivem juntas há mais de dez anos sob um contrato denominado PACS. Este regime de união civil, que é aberto a casais heterossexuais e homossexuais, não é tão completo quanto o casamento por não abranger diversos aspectos importantes do direito à sucessão. O casal tem quatro filhos: uma menina de dezesseis anos, que é fruto da união anterior de Corinne, e mais três meninos concebidos através de inseminação artificial na Bélgica.

Corinne, Sophie e seus quatro filhos. Fonte da foto: AFP

No direito francês, o casamento ainda é definido como a união exclusiva entre um homem e uma mulher, mesmo que este conceito já tenha sido revisto em diversos países do mundo. A Corte Constitucional foi evasiva na sua declaração e assim adiou mais uma vez a questão, alegando que cabe ao Legislativo decidir se o texto muda ou não. O Parlamento, por sua vez, não vai querer mexer num assunto espinhoso desses; pelo menos não até a campanha presidencial de 2012, quando possivelmente a questão do casamento gay vai criar uma verdadeira batalha política: embora não dê para generalizar, a esquerda é a favor e a direita é muito, muito contra.

Mas, por enquanto, antes e ao invés de levantar bandeiras por votos, todo mundo está levantando o braço e dizendo: "comigo não tá!". Corinne, Sophie, seus filhos e todas as demais famílias formadas por casais gays na França vão ter que esperar até as eleições para, quem sabe, serem reconhecidas como famílias de verdade. Na França, ao que parece, o direito à igualdade depende da opção sexual.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Chuva de cocô

Nas notícias nacionais tem o Sarkozy deportando os ciganos romenos e começando uma cruzada contra os imigrantes ilegais. Aí a ONU critica, o Vaticano reclama, um padre de Lille reza para que o presidente francês tenha um ataque cardíaco. Com um pouco menos de destaque tem a continuação do affaire Bettencourt, com o ministro do trabalho Eric Woerth chorando porque – coitado – está sendo vítima de um "apedrejamento midiático" por causa do seu envolvimento no caso.

Nas notícias sobre esportes ainda repercute a ridícula atuação da França na Copa e a consequente suspensão do Anelka da seleção por ter discutido com o técnico Domenech e desencadeado a greve dos bleus. Descobriu-se ainda que vários jogadores do time campeão do mundo de 98 tiveram análises de sangue suspeitas antes da disputa da final da Copa, aquela que eles ganharam da gente.

Aí no noticiário regional do Sudoeste francês tem a história de uma cidade chamada Saint-Pandelon que há meses sofre com uma misteriosa chuva de merda.

Tudo que sobe, desce.


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Obrigada pela mãozinha, Henry!

As minhas lembranças de infância são um pouco fragmentadas, mas eu lembro vivamente dos momentos dramáticos. E um desses momentos foi quando, nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 1986, a França eliminou o Brasil por 4 a 3 nos pênaltis depois de um empate de 1 a 1. Eu chorava muito, dizia que odiava a França e os franceses e prometi que nunca, jamais, pisaria na terra dos desgraçados que eliminaram a minha seleção.

O tempo passou. E na final da Copa de 1998 aconteceu a nossa infame derrota pra França, que embora não tenha causado nada parecido com a choradeira de 86, foi motivo pra muita revolta e algumas lágrimas. Veio o mundial de 2006 e perdemos de novo nas quartas-de-final pros bleus. Desânimo.

O tempo passou de novo. Eu traí a promessa que eu fiz aos cinco anos e fui morar em Paris, de onde acompanhei a performance ridícula da França nas classificatórias para a Copa de 2010. Foi só no último jogo da repescagem, contra a Irlanda, que eles conseguiram a vaga no mundial, e mesmo assim foi controverso, já que todo mundo – menos o juiz – viu que o Henry deu uma ajeitada descarada na bola com a mão antes de cruzar pro Gallas marcar o gol da vitória.

Henry dando uma mãozinha no lance. Foto da Agência EFE.

Acho que eu não era a única brasileira torcendo pra França se classificar para a próxima Copa. Os motivos obviamente são escusos: vingança. Tenho fantasiado com fervor uma nova final entre a nossa seleção e a deles, e na minha mentalização é claro que e gente vai ganhar. E eu vou estar lá, comemorando na Champs Elysées com a minha camisa verde e amarela, fazendo festa e zoando com a cara de poste dos franceses. Posso acabar levando porrada, já que um grito preso na garganta por vinte e quatro anos vai me fazer ficar muito abusada, mas tudo bem, eu apanho feliz.

Vai acontecer, vai acontecer.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Le 14 Juillet

Em 14 de julho de 1789, os franceses saíram pelas ruas protestando contra o regime monárquico e acabaram por invadir a Bastilha, prisão que simbolizava o Absolutismo real. O povo libertou os presos que ali estavam, derrubou a fortaleza e assim começou a Revolução Francesa.

Queda da Bastilha (fonte: Wikipedia)

Em 14 de Julho de 2009, os franceses saíram pelas ruas em direção ao Champ de Mars para ver o show do Johnny Hallyday, que é assim, mais ou menos o Roberto Carlos francês. Acrescente a isto a comemoração dos 120 anos da Torre Eiffel e voilà, eis a grande queima de fogos do 14 de julho.

Vimos da casa da Joana e do Marc, que tem uma vista absurda da Torre.

Ainda no Champ de Mars: aquele na telinha é o Johnny Hallyday

Vai começar...

Fogos de artifício

Mais fogos de artifício

Nós

segunda-feira, 1 de junho de 2009

AF447

A cobertura sobre o desaparecimento do voo Air France AF447 que vinha do Rio para Paris está bastante intensa por aqui, assim como deve estar no Brasil. A BFM TV está com edição especial o dia inteiro, e todos os sites de notícias estão dando destaque ao fato. Então informações não faltam, embora elas ainda estejam desencontradas no que diz respeito à quantidade de pessoas de cada nacionalidade que estava a bordo e, claro, sobre o que aconteceu ao certo.
Desnecessário dizer que todo acidente de avião é muito triste e causa uma grande comoção. Mas quando é uma coisa que poderia acontecer facilmente com a gente ou com alguém muito próximo, é um pouco mais chocante. Parece ao mesmo tempo mais real e mais surreal quando você se projeta naquilo. Do tipo. Eu e Rafael viemos nesse voo pra cá e vamos fazer essa rota mais uma vez esse ano. Bruno e Dani estão vindo na próxima sexta também nesse mesmo voo. Meus pais chegam no dia seguinte. Vários amigos nossos estão vindo visitar ainda esse ano. Puta merda, imagina se fosse com a gente ou com eles?

Melhor nem imaginar. Não sou muito de rezar nem de chorar por desconhecidos, mas hoje, vendo na televisão as expressões de tristeza e perplexidade dos familiares e amigos das vítimas, abri uma exceção.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Quinta-feira negra

Uma francesa que a gente conheceu disse que os franceses são especialistas em duas coisas: reclamar e fazer greve (o que é basicamente a mesma coisa, sendo a greve por vezes uma reclamação apenas um pouco mais específica adicionada de algum barulho, mas enfim). Eu acrescentaria pelo menos pão e vinho nessa lista, mas isto não vem ao caso agora.

O fato é que vimos hoje de perto, bem de perto, como eles sabem fazer greve da forma mais agressiva possível: colocando fogo em lixeiras no meio da rua, gritando, enfrentando policiais.

Esta manifestação foi no Boulevard des Capucines, perto da Ópera. Deixo as imagens falarem por si só: