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sábado, 7 de novembro de 2009

Montanhas Atlas

Já que estávamos em Marrakech, resolvemos conhecer a região das Montanhas Atlas, que fica mais ou menos perto de lá.

A primeira parada foi numa loja berbere que, em tese, vendia produtos mais baratos que os de Marrakech. Só que os preços eram bem absurdos, e acabamos nem comprando nada.

Depois paramos em Sitti Fatma, onde fizemos uma trilha morro acima para ver uma cachoeira. Estava meio frio, mas mesmo assim tinha gente mergulhando.

Sitti Fatma

Tem uma maluca na cachoeira de roupa!

Cachoeira vista de cima

Refrigeração marroquina

Tapetes em Sitti Fatma

Também fomos no Jardin du Safran, onde há uma grande plantação de açafrão. Pena que ainda não estava na época das flores...

Jardin du Safran

Pra terminar, passamos numa loja de uma cooperativa Argan, onde é possível ver mulheres da região quebrando as nozes de argan para fazer óleo e diversos outros produtos derivados.

Cooperativa Argan

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Pra lá de Marrakech

Antes de começar a falar de Marrakech, eu queria dizer uma coisa. Eu sou, sim, uma pessoa relativamente fresca. Mas também sou flexível e safa, e há que se considerar que eu sou cria da ECO e fui a todos os ENECOMs organizados durante o meu tempo de faculdade, ou seja, se tiver que passar perrengue, eu passo.

Dito isso, vou contar sobre a nossa recente viagem pra Marrakech.

Pra começar, uma escolha equivocada no planejamento fez com que ficássemos hospedados no pior lugar da cidade, a Medina. Escolhemos um hotel lá porque o centro histórico da cidade é quase sempre o melhor lugar para ficar, já que os principais pontos turísticos costumam estar nele. Só que, aparentemente, essa regra se aplica a cidades européias; não a cidades de uma forma geral.

A Medina é um labirinto de ruas e becos sujos e mal iluminados, e apesar das coisas serem razoavelmente próximas umas das outras, é extremamente difícil achar o caminho; então, 70% do tempo a gente passou se perdendo. Mapa? Esquece. As ruas não são sinalizadas, e vários dos bequinhos nem aparecem na geografia oficial, ou seja, pra saber pra onde ir é preciso perguntar a um nativo. Só que o nativo cobra até pelo bom dia que dá, e qualquer informação deve ser acompanhada de uma gorjetinha.

Andar de táxi também é uma aventura, já que os motoristas tentam cobrar muito mais do que a corrida vale (não pode dar mais que 20 dirham dentro da cidade), e ainda vão parando pra todos que fazem sinal, enchendo o carro de gente.

Eu entendo que o Marrocos é um país pobre e que o turismo é uma grande fonte de lucro para eles, e que pra quem ganha em dólar ou em euro não é nenhum drama dar um trocadinho em dirham, a moeda local. Mas a obrigação, quase coação, incomoda, sabe? Parece que as pessoas já olham pra você com cifrõezinhos pulando dos olhos.

Mas enfim. Tem a parte boa também.

Apesar de mal-conservados, os prédios históricos são bem bonitos. Destaque para as Tombeaux Saadiens, um dos últimos resquícios da dinastia saadiana que vigorou em Marrakech nos séculos XVI e XVII. O mausoléu, que guarda os restos mortais do sultão Ahmed al-Mansur Saadi e de toda a sua família, só foi redescoberto em 1917.

Tombeaux Saadiens

Mosaicos das Tombeaux Saadiens

Também vale a pena conferir os mosaicos e jardins do Palais Bahia, um palácio construído no século XIX para abrigar o harém do grão-vizir Ba Ahmed Ben Moussa.

Palais La Bahia

O minarete da Koutobia, que se vê de praticamente toda a cidade, é um dos símbolos de Marrakech. Não-muçulmanos não podem entrar na mesquita, mas ao redor dela tem um jardim bacana e algumas escavações arqueológicas em exposição.

Koutobia

Koutobia de novo, lá no fundo

Do terraço do riad

E aí tem a praça Djeema El-Fna e toda a sua confusão de cores, aromas e sons. E quando eu digo confusão, é exatamente isso que eu quero dizer: o colorido das frutas expostas misturado com o cinza da fumaça das barracas de comida; o cheiro de churrasquinho e chá de menta misturado com o das especiarias; música dos artistas de rua misturada com o barulho das milhares de motos que cruzam a praça.

Djeema El-Fna

Djeema El-Fna de cima

Nas extremidades da Djeema El-Fna começa o labirinto dos souks, os mercados cobertos – ou camelódromos, vamos deixar de rodeios – onde se vende de tudo. Roupas, tênis, artesanato, bijuterias, prataria, tapetes, qualquer coisa que se imagine tem ali. Provavelmente tudo falsificado, naturalmente, e com o preço lá nas alturas pros bobos dos turistas. Não pergunte o preço de nada se não quiser realmente comprar, porque depois desse contato inicial o vendedor vai te perseguir, barganhar, chorar e fazer da sua vida um inferno até ele conseguir fazer a venda.

Souk

Mais afastado do centro da cidade fica o Jardin Majorelle, um jardim botânico construído pelo pintor Jacques Majorelle e posteriormente comprado e aberto ao público pelo estilista Yves Saint Laurent e seu parceiro Pierre Bergé. Os azuis, amarelos e laranjas vivos se fundem com a arquitetura de toques marroquinos, resultando num lugar único, lindo e muito tranquilo.

Jardin Majorelle

Jardin Majorelle

Também afastado da cidade fica o Palmeraie, onde todos os resorts de luxo se instalaram. Os astros de Hollywood amam a cidade porque eles se hospedam ali, bem longe do burburinho da Medina e perto das palmeiras, camelos, campos de golfe e champanhes. Quando eles ficam assim, pra lá de Marrakech, é fácil gostar de lá.

Camelos

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Explicando o inexplicável

Tenho uma profissão que, por assim dizer, não domina as conversas na hora do almoço. Os holofotes normalmente caem sobre médicos ou advogados, cujos percalços são extensamente glorificados e/ou demonizados em tudo que é tipo de mídia e bate papo. Você não vai ver um seriado rivalizando com ER ou Law & Order sobre o dia-a-dia de um engenheiro batendo de frente com várias gangues barra pesada. Muito antes disso, discute-se a vida de presidiários, policiais, psicopatas ou teenagers acéfalas.

Mas como eu trabalho embarcado na África, coisa esta que por si só desperta a atenção, as pessoas passam do inicial desinteresse pela engenharia e perguntam: mas o que você faz lá mesmo? Olhares brilhando de curiosidade, plateia presa no gancho esperando a explicação. Eles querem coisa no nível Indiana Jones, que transforma uma profissão chata toda vida numa panaceia tresloucada.

Pronto. Começo a jogar toda a minha didática, sorrisos e carisma no que sei ser um assunto delicado. Conheço o terreno frágil da atenção humana avessa a abstrações geométricas e grandezas matemáticas. Passados quinze segundos em que menciono coisas como flanges, tubulações e soldas, normalmente o que se segue é: “Ah... legal... interessante... entendi. Então tá então”. Ninguém entendeu e ficou por isso mesmo.

Mas sou brasileiro e não desisto nunca, então tentarei através do blog explicar o inexplicável: o que diabos eu faço na África!

Participo de operações em alto mar que instalam os lindos e maravilhosos dutos que levam petróleo das plataformas para terra firme. Esses dutos (tá, pode falar cano se quiser), ficam lá no fundo do mar junto com os peixinhos, e levam um montão, mas um montão mesmo, de petróleo e gás. Mas vem cá, como o tubo faz pra parar lá embaixo? A gente não o joga na água e vê no que dá; nada disso. Com muito cuidado a gente vai soldando tubo atrás de tubo e vai lançando direitinho na água até chegar lá embaixo. Quer ver como é? Saca só:

Um dia desses, devido ao ócio e ao espírito de porco inerentes à raça humana, você subiu no alto de um prédio com um monte de tubos de PVC. Sua ideia era a seguinte: ir conectando um tubo de PVC no outro até que ele chegasse na rua lá embaixo.


O que você pretendia alcançar com isso? Vá saber, a ideia foi sua, não minha. Tem dois jeitos de fazer isso:
  1. Segurando o cano na vertical com as mãos esticadas pra fora do parapeito. Assim, você vai acrescentando mais secções ate que ele chega na rua;
  2. Segurando o cano na horizontal com as duas mãos antes do parapeito. Você faz a mesma coisa, sendo que o cano fica apoiado no parapeito e faz uma baita curva ate ficar na vertical e ir lá pra baixo.
Até aí tudo bem? Bom, o negócio é que seu cano é frágil (huum, olha o duplo sentido pintando), então na segunda opção você tem que dar um jeito de suavizar a descida pro cano não partir no meio. O que você faz? Prende uma rampinha no parapeito, poxa vida (a gente chama de stinger)! Assim não fica aquela quina machucando o coitado.

Agora tem uma mágica acontecendo no prédio e assim, do nada, ele começou a andar! Uau, antes de ter a ideia de lançar os canos parece que rolaram uns “coquetéis” brabos na ideia.

Imagina então que o cano tá lá embaixo e o prédio andando. Tem que manter o ritmo hein! Pra cada cano que você acrescenta o prédio anda um pouquinho. A trilha de canos vai aumentando na rua até que você finalmente enche o saco. Podia estar pegando alguém, jogando PS3, lendo uma revista, enfim... são pensamentos que lhe ocorrem. Aí chega a outra sacada: quero largar essa bodega, mas se eu simplesmente soltar a mão, a droga do cano vai quebrar todo... Inferno! Fazer o que? Tem que prender uma corda na ponta e ir soltando até o cano pousar na rua. Mas não esquece que o prédio tem que andar enquanto você solta, senão fica a maior macarronada na calçada e dá merda com a chefia. Pronto, você acabou de fazer o que chamamos de abandono da tubulação. Se você quiser pegar o cano de novo pra continuar brincando no dia seguinte, é só fazer o contrário.

Olha, em linhas gerais, é assim que o navio funciona, só que ao invés de canos de PVC a gente usa tubos de aço bem maiores e mais pesados. Ao invés de segurar os dutos na raça, a gente usa os chamados tensionadores, e pra encaixar um duto no outro a gente solda o bagulho. Lembra das duas opções pra lançar o cano na rua? Na primeira, o lançamento é chamado de J-lay (lançamento em J), por causa do formato do duto quando ele toca no chão. Hein, hein? Se liga que o duto estava na vertical e depois fez uma curva quando bateu no chão. Esse é o J. A segunda opção é chamada S-Lay (lançamento em S) pelo mesmo motivo. Não tá vendo o cano saindo da rampa e chegando lá na rua fazendo duas curvas que lembram um S? Poxa, não é tão difícil assim, deixa a preguiça de lado um instante e abstrai aí.

Bom, acho que era isso. Então tá então.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Luanda vista do navio

No meu embarque anterior, o navio em que estou trabalhando teve que ir a Luanda pra consertar alguns equipamentos. Como espaço no porto costuma ser caro e escasso, ficamos estacionados na baía, junto a uma renca de outros navios. Vendo a cidade de binóculo, fiquei impressionado com a quantidade de prédios sendo construídos. Pra tudo quanto era lado tinha guindaste e estruturas em várias fases de construção.

Um colega me mostrou um site bem legal com um monte de projetos para prédios em Luanda.

Diz o site que a maioria dos projetos já estão aprovados e com verba separada para início das obras. É cada um mais bonito e cheio de estilo que o outro!


Outra característica bem marcante de Luanda é a divisão clara entre o lado pobre e rico da cidade. Olhando para o centro e para a direita, vê-se prédios coloridos e casas bem construídas. Do lado esquerdo fica a favela, ocupando um espaço considerável da cidade.



Os meus colegas que foram a Luanda disseram que a cidade é tão cara quanto Paris ou Londres! Almoço em um restaurante normal, classe média, pode sair de cinquenta a setenta euros, mole. Alugar um apê de 50 m2 na parte mais nobre da cidade custa fácil 2.000 euros! Tudo por causa do petróleo, chamariz mundial para a inflação. Outro exemplo é Macaé, cidade pequena em que o custo de vida se compara ao do Rio de Janeiro.

Nota a respeito dos números: tenho que dar o desconto natural a este tipo de história presenciada por terceiros. Todo mundo sabe que quando se conta alguma coisa, pra marcar a situação e chamar a atenção da platéia, às vezes se aumentam os números, o tamanho das coisas...

Dentre os vários motivos do crescimento de Luanda está obviamente o petróleo, que trouxe empresas de tudo quanto é lado pra cidade. Uma consequência do progresso é o CAN 2010 (Campeonato Africano das Nações) que Angola vai sediar dessa vez. O evento vai acontecer obviamente em 2010 e já é visto na região como um divisor de águas pra mostrar pra geral o quanto o país tem se reerguido depois de anos e anos de guerra civil.

Dentre as informações bobas que obtive, fiquei sabendo que é facílimo importar automóveis no país. Isso pude constatar no meu caminho pro aeroporto e nas conversas com alguns angolanos. Facinho, facinho se vê os tão americanos SUVs top de linha da Toyota, Bentleys, Ferraris e Porsches nas ruas, ainda que os donos vivam em moradias diametralmente opostas à qualidade dos carros.

Tenho várias fotos tiradas do meu celular, durante o trajeto que fiz entre o aeroporto de Luanda e a Guest House da minha empresa (depois explico o que é isso). É um ângulo a mais sobre a cidade que eu gostaria de mostrar assim que aprender a mexer com os malditos cabos e softwares da Samsung. Estou escrevendo um texto sobre a saga de voltar para casa... aguardem e confiem.