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sábado, 11 de julho de 2009

Provence-Alpes-Côte d'Azur: parte 2

De Turim, pegamos de volta a direção da França e entramos mais uma vez na região da Provence. A estrada do interior é tão bonita quanto a do litoral. Vimos montanhas com topo nevado, rios de degelo, um lago imenso, paisagens diferentes, cidadezinhas lindas. O objetivo era ver os campos de lavanda de Valensole, mas quase não conseguimos chegar a tempo de fotografar com sol, porque paramos várias vezes em vários lugares!

Montanhas nevadas

Montgenèvre

Lac de Serre-Ponçon

Tallard

Sisteron

Les Pénitents des Mées

Valensole

A Provence fornece cerca de 80% de toda a lavanda produzida no mundo, e boa parte dessa porcentagem sai de Valensole. A cultura da lavanda foi introduzida ali no século XIX e desde então é a principal fonte de renda da região. Segundo este site, há vários outros centros de plantação de lavanda entre Alpes de Haute Provence e Vaucluse:

- Le Pays d'Apt et du Luberon (Apt, Caseneuve, Viens, Ste Croix de Lauze, Carniol Lagarde d'Apt, St Christol, Gordes, Roussillon, Saignon)

- Le Pays de Sault et du Ventoux (Bedoin, Monieux, Sault St Trinit, Aurel)

- Le Pays de Forcalquier et la Montagne de Lure (Banon, Simiane la Rotonde, St Etienne les Orgues, Mane, Lurs)

- Le Pays de Digne (Digne, Mézel, Thoard)

- Le Pays du Verdon et le plateau de Valensole (Valensole, Riez, Allemagne en Provence, St Jurs Moustiers Sainte Marie, St André Les Alpes, La Mure-Argens, Puimoisson)

A melhor época para ver os campos floridos é nos meses de julho e agosto, antes do final da colheita em setembro. A paisagem parece saída de um sonho: lilás a perder de vista, casinhas provençais ao longe, um cheirinho suave no ar.

Valensole

Lavanda

Casa provençal

Todo mundo

De Valensole, fomos direto pra Marseille e no dia seguinte pegamos o trem de volta para Paris. Nem o incidente de Nice conseguiu estragar a viagem, que foi uma das rotas mais bonitas que eu já fiz.

Até a próxima!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Provence-Alpes-Côte d'Azur: parte 1

Provence-Alpes-Côte d'Azur. O nome é comprido, mas é como a região que conhecemos como Provença é oficialmente denominada. É também praticamente uma breve explicação do que se encontra ali pelo sul da França: provença, alpes nevados, riviera francesa, costa azul, mediterrâneo, lavanda. Por livre associação, claro.

A viagem começou em Marseille, que é a capital da região. Chegamos lá de trem, saindo da Gare de Lyon em Paris, demorando aproximadamente 3 horas no trajeto. Pegamos na própria Gare Saint Charles, a estação de trem de Marseille, o carro previamente alugado na Europcar: originalmente um Kangoo, que virou um Peugeot 308 porque eles não tinham o carro reservado.

Marseille

Na verdade, acabamos nem conhecendo muito Marseille, mas à primeira vista me pareceu uma cidade meio velha, diria até um pouco feia. Mas minha opinião é baseada em quase nada, então preciso voltar lá para desfazer ou confirmar a impressão.

Aix-en-Provence

Aix é a antiga capital da Provence e também é uma das principais cidades da região. Entre sua fundação em 123 A.C. pelos romanos até 1487, quando foi definitivamente incorporada à França, Aix-en-Provence foi terra de visigodos, francos, lombardos, sarracenos, Aragons e Anjous. Foi na época desses últimos que a universidade de Aix foi fundada.

Mas a maioria das atrações turísticas da cidade surgiram bem depois disso. Cours Mirabeau, a principal avenida da cidade, foi construída no século XVII, assim como o Hôtel de Ville. Nas proximidades deste último, é montado um marché aux fleurs (mercado de flores) às terças, quintas e sábados. As fontes da cidade são do século XVIII, sendo a principal delas a Fontaine de la Rotonde.

Outras atrações são a Cathédrale St-Sauveur, Thermes Sextius e o Atelier Paul Cézanne, que não visitamos. Prédios antigos e arte no mesmo dia podia ser demais para um grupo de cinco pessoas com interesses distintos.

Fontaine de la Rotonda

Sainte-Maxime

A chegada em Sainte-Maxime foi assim: "Oba, chegamos em Saint-Tropez, vamos tirar fotos com praia e canteiros de lavanda, vamos tomar uma cerveja!". Depois da empolgação inicial, descobrimos se tratar da cidade vizinha, que no entanto está ali de frente pra Saint-Tropez, no mesmo golfo. Bonita também.

Saint-Tropez está lá atrás

Mamãe e o canteiro de lavanda

Saint-Tropez

Pensa numa área portuária, mas com iates de luxo entre os barcos pesqueiros, restaurantes sofisticados, pessoas vestidas de branco e lojas de grife. Ou então, imagina assim, uma Búzios mais chique, com gente falando francês e com as ruazinhas estreitas do centro histórico que data do século XV. É mais ou menos isso, Saint-Tropez. Só que melhor.

Anotado no caderninho: tenho que voltar lá para passar um fim de semana e fingir que eu sou rica.

Saint-Tropez

Porto

Cannes

Outra cidade bem bacana de se conhecer. Tem um charme diferente de Saint-Tropez; é maior, mais cosmopolita, mais cidade grande. Chegamos entre o fim do Festival de Cinema e o começo do Cannes Lions, mas mesmo assim a cidade estava cheia, bem animada. A boa é ficar num hotel o mais perto possível de La Croisette, a orla de Cannes: praia de dia, vários restaurantes e bares à noite. Se puder bancar, fica logo no Carlton, eu recomendo.

Enganei alguém? É, achei mesmo que não. Uma diária no Carlton deve custar mais que um rim meu.

Na orla também fica o Cassino e o Palais des Festivals, onde acontece o famoso Festival de Cinema. Lá também tem uma calçada da fama, com a impressão das mãos de vários atores, atrizes e diretores.

Outro lugar imperdível é o Château de la Castre, um castelo construído por monges nos séculos XI e XII. A vista lá de cima é sensacional.

A mão do David Lynch

Carlton

Antibes

Antibes, antiga Antipolis, foi fundada no século IV ou V A.C. pelos fenícios. Mais tarde, foi um entreposto grego, depois uma cidade romana, depois um domínio dos Grimaldi e enfim uma cidade francesa a partir de 1860.

Na lista do tem-que-ver está o Château Grimaldi, que abriga atualmente um Musée Picasso, e o porto da cidade, que tem os iates mais ridiculamente grandes e luxuosos que eu já vi na vida.

Iates no porto de Antibes

Grasse

É a capital dos perfumes da Provence, com uma tradição no ramo que vem do século XVI. Então, as visitas das perfumarias são o que há de mais interessante em Grasse, mas é só isso e olhe lá. Ganhou o título-trocadilho de "cidade sem-grasse".

Perfumaria Fragonard

Tourrettes-sur-Loup

Estávamos na estrada entre Grasse e Saint-Paul de Vence quando de repente vimos uma cidadezinha encravada no alto de uma montanha, uma village perché. Tourrettes-sur-Loup. Hein? Mas essa cidade nem está no guia!

Pausa para tentar explicar o que é village perché. Ao pé da letra seria mais ou menos "aldeia empoleirada", que obviamente não é o que se usa em português, se é que existe uma tradução exata. A expressão é usada para definir pequenas cidades medievais construídas no topo de montanhas rochosas, com vista para um rio, para um vale ou ainda para o mar. Ou seja, eram posicionadas em locais estratégicos de vigilância, de onde se podia avistar possíveis ameaças. Geralmente eram construídas ao redor de um castelo e/ou de uma igreja, com casas feitas de pedra e ruas estreitas formando um pequeno labirinto, e eram assim desenhadas justamente para confundir possíveis inimigos que a conseguissem invadir.

Pois bem, Tourrettes-sur-Loup é uma dessas cidades. E é linda, pequena, super bem conservada. Sério, me senti na Idade Média.

Tourrettes-sur-Loup

Salut!

Saint-Paul de Vence

Outra village perché, uma das mais famosas da região. Mas justamente por ser mais turística, não tem tanto charme quanto Tourrettes-sur-Loup; é maior, mais cheia de lojas e de gente. Mas ainda assim valeu a pena, é bem bacana.

Bem depois dos tempos medievais, Saint-Paul de Vence se tornou frequentada por gente como Modigliani, Simone de Beauvoir, Sartre, Catherine Deneuve...

Saint-Paul de Vence

Fonte

Cagnes-sur-Mer

Nesta cidade também tem um Château Grimaldi. E uma bela vista do litoral lá embaixo.

A vista

Nice

Nice é o segundo destino mais procurado na França, depois de Paris. É uma cidade grande. E isso foi muito ruim pra gente, porque cidade grande que se preze tem bandido, e um desses bandidos quebrou o vidro lateral do nosso carro. Então, o primeiro dia em Nice a gente passou tentando saber o que fazer, rodando a cidade à procura da delegacia, da agência da Europcar, da loja da Peugeot, da loja de conserto de vidro. Foi péssimo. Como a peça estava em falta, acabamos tendo que trocar o carro por um kangoo na Europcar. Depois eu conto o pesadelo que está sendo a cobrança disso.

Enfim, lá pro fim do dia conseguimos pegar uma prainha. Só que nem dá pra ficar muito tempo porque a praia é toda de pedras, e deitar nas pedras é bem desconfortável. De noite conseguimos andar pela Promenade des Anglais, passamos no Cassino, jantamos na rue Masséna.

E no dia seguinte, quase indo embora, vimos a Vieux Nice, a parte antiga e legal da cidade. Mas sabe má vontade? Pois é, Nice inspirou má vontade por causa do vidro quebrado. Nem exploramos muito essa parte da cidade.

O estrago

A cor do mar

Vieux Nice

Eze

Eze também é uma village perché. E lá tem o Jardin Exotique, um jardim lindo que fica ao redor da cidade. Linda, vale a pena.

Jardin Exotique de Eze

Eze

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Rumo Sul


Visualizar 2009-06 - Rumo Sul em um mapa maior
Taí o mapa do nosso roteiro de viagem, uma rota de 1.036 km entre França, Mônaco e Itália. Resumidamente, fizemos o seguinte: fomos de trem de Paris até Marseille (dá umas 3h de TGV) e lá pegamos um carro alugado. De Marseille fomos até Aix-en-Provence e depois fomos beirando o mar e visitando cidades da Côte d'Azur, como Saint-Tropez, Cannes e Antibes. Algumas surpresas no caminho, como Tourrettes-sur-Loup, uma pequena cidade medieval que nem estava no guia de viagem. Passamos pelo principado de Mônaco e depois continuamos pelo restinho que tem da riviera francesa até ela virar a riviera italiana depois da cidade de Menton. Dali, Sanremo e outas cidadezinhas de praia até que pegamos a estrada em direção a Turim, e de lá fomos voltando pelo Piemonte em direção a Provence de novo, onde vimos os campos de lavanda em Valensole. De volta pra Marseille, pegamos o trem e voltamos pra Paris. Uma semana de viagem.

Vou explicar direitinho cada lugar nos próximos posts.