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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Le 14 Juillet

Em 14 de julho de 1789, os franceses saíram pelas ruas protestando contra o regime monárquico e acabaram por invadir a Bastilha, prisão que simbolizava o Absolutismo real. O povo libertou os presos que ali estavam, derrubou a fortaleza e assim começou a Revolução Francesa.

Queda da Bastilha (fonte: Wikipedia)

Em 14 de Julho de 2009, os franceses saíram pelas ruas em direção ao Champ de Mars para ver o show do Johnny Hallyday, que é assim, mais ou menos o Roberto Carlos francês. Acrescente a isto a comemoração dos 120 anos da Torre Eiffel e voilà, eis a grande queima de fogos do 14 de julho.

Vimos da casa da Joana e do Marc, que tem uma vista absurda da Torre.

Ainda no Champ de Mars: aquele na telinha é o Johnny Hallyday

Vai começar...

Fogos de artifício

Mais fogos de artifício

Nós

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Solstício de verão e Fête de la Musique

O dia 21 de junho marca, no hemisfério norte, o solstício de verão. É, com palavras da Wikipedia, "o momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador."

Não entendeu? Tem uma explicação mais fácil.

A Terra naturalmente tem uma inclinação de 23º27'. Ou seja, pega aquele mapa-mundi que a gente conhece da aula de geografia, com a linha do equador perfeitamente alinhada, e dá uma viradinha pra esquerda. Ok, ok, não é exatamente isso. A figura abaixo mostra melhor o esquema sem precisar de abstrações simplistas.


Essa inclinação faz com que, ao percorrer sua órbita ao redor do Sol durante o ano, a Terra seja iluminada pelos raios solares de maneiras diferentes conforme sua posição. São as estações. No verão, o hemisfério norte recebe mais luz, ocasionando dias em que o Sol aparece bem cedinho e se põe bem tarde.

Mas enfim, todo esse papo comprido foi pra dizer que o dia 21 de junho é o dia mais longo do ano e o início do verão aqui por estas bandas. E isso, desde tempos remotos, tem sido motivo de comemoração. Atualmente, em Paris, é o dia da Fête de la Musique.

Essa festa, que começou na França e hoje é celebrada em vários outros lugares do mundo, tem como slogan-trocadilho a frase "Faites de la musique" (faça música), que foneticamente é a mesma coisa que "Fête de la musique" (festa da música). É um dia em que a prefeitura organiza vários shows gratuitos. É um dia em que qualquer um com um talento musical (ou não!) pode usar a rua como palco. É um carnaval à moda parisiense no qual ninguém pega ninguém, como disse a Gi.

E é, sobretudo, um dia muito divertido. A boa é sair por aí sem rumo, vendo as muitas performances que as pessoas preparam. Algumas simples, como um grupo de pessoas cantando em coro; outras complexas e um pouco bizarras, como a escola de samba tocando samba pra gringo ver.

No esquenta

Banda de blues

Coral gospel

Escola de samba

Numa ponte

Literalmente no meio da rua

A multidão

Bailado

domingo, 26 de abril de 2009

Noite brasileira

Uma pequena multidão que já se avistava na saída da estação Anvers indicava que era ali o Elysée Montmartre. Chegamos meio no susto e sem saber se íamos conseguir entrar, mas como a maioria ali era de brasileiros, começamos a bater papo na fila, conhecemos pessoas bacanas e ainda achamos uma menina que tinha ingressos pra vender. Oba!

Tudo bem que o show estava marcado para começar às 23h e O Rappa só subiu no palco pouco depois de 1h da manhã. Enquanto isso, o povo dançava músicas brasileiras, algumas boas, outras de gosto duvidoso. Apesar da demora pra começar, o show foi muito bom, todo mundo muito animado – e nem era de birita, já que ninguém fica bêbado com cerveja em copo pequeno de plástico a 5€. Melhores momentos, claro, quando eles tocaram as músicas mais populares: Homem Amarelo, A Todas as Comunidades do Engenho Novo, Me Deixa, Minha Alma, O Que Sobrou do Céu, Pescador de Ilusões e Hey Joe (na qual Falcão, engraçadinho, alterou o primeiro verso para "Hey Joe, onde é que você vai com esse vinho aí na mão?").

Brasil!

Eu, Marcela e Isabelle

Rafael, eu, Isabelle e Richard

domingo, 1 de março de 2009

Paris by night

Sábado à noite, primeira saída em Paris: fui com Cid e Virginie para uma boate chamada Social Club lá pros lados da Bourse. O DJ era chato demais e a música idem, mas mesmo assim me diverti observando o comportamento das pessoas na noite parisiense. Algumas figuras são clássicas em qualquer lugar: o arroz-de-festa flanando em todas as meninas presentes, o tímido que fica no cantinho desejando ter a cara de pau do arroz-de-festa, o mauricinho que olha todo mundo de cima, o alternativo com camisa de banda que só ele conhece. Até aí, normal. Foram as diferenças de estilo e comportamento que me interessaram.


Pra começar, aqui eles não têm ritmo. Não têm, ponto. Algumas pessoas até dançam na batida da música, mas a maioria abstrai o que está tocando e inventa sua própria cadência, algo entre uma sacudida e uma tentativa de rebolado.

O jeito de se vestir de alguns é peculiar, já que certos meninos não largam de seus chapéus e certas meninas não abrem mão de suas echarpes nem mesmo numa pista de dança quente. E não vi ninguém suado, hein!

Também achei surpreendente a intimidade que as pessoas de um mesmo grupo pareciam ter entre si, já que cada hora que eu olhava, achava um novo par formado entre as mesmas pessoas. Do tipo: “Ih, a loirinha pegou o cabeludo. Não, acho que ela está com o ruivo. Ué, ela ta pegando a japa? Ah, não, acho que ela ta ficando com aquele outro cabeludo. Quem ta pegando o ruivo é a japa.” Na verdade, em nenhuma das interações vi beijo, então acho que na real ninguém estava pegando ninguém, o que é ainda mais curioso. Não que dançar com outra pessoa de forma, digamos, sensual, seja incomum no Brasil; só não achei que fosse comum na França. E de certa forma, é um tipo de sensualidade diferente, que aparenta um pouco forçada. Como contraponto, por exemplo, os espanhóis também dançam colado e às vezes são pares de pessoas que nem se conhecem entre si, mas isso lá me pareceu mais natural do que aqui. Ou talvez eu esteja viajando, sei lá.

Agora diferente mesmo foi andar do 2ème até o 7ème a pé às 03h30 da manhã sem medo de ser assaltada. Cansativo, mas impagável.