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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O mercado europeu de smartphones

É fato notório que, em ambientes públicos, os moradores de Paris têm necessidade de portar um escudo, algum objeto que evite o contato com outros seres humanos. Antes, esse escudo geralmente era um livro. Agora, cada vez mais, ele toma a forma de um smartphone.

E aí era uma opinião baseada pura e somente na observação das pessoas no metrô, mas eu sempre achei que não existiam mais telefones de outra marca e que todo mundo por aqui tinha se rendido à Apple. Porque no metrô, excluindo aí os turistas, só se vê gente de fone no ouvido e olhos no próprio iPhone – exceto eu, que fico reparando no iPhone dos outros. Claro que, como toda teoria sem fundamento, a minha suposição estava errada. Mas não totalmente.

Uma pesquisa feita pela comScore apresenta dados recentes sobre o uso de smartphones na Europa. Uma das conclusões do estudo é que em todos os países analisados (França, Reino Unido, Itália, Espanha e Alemanha) a Apple é a que mais cresce em termos percentuais, embora não tenha a liderança do mercado. Pelo menos não ainda.

O Symbian – que embora utilizado por outros fabricantes é quase sinônimo de Nokia – ainda é a plataforma líder com 54,4% do mercado, mas vem perdendo cada vez mais espaço depois do lançamento dos sistemas da Apple (Apple OS) e do Google (Android). Mesmo apostando numa eventual retomada de vendas com o novo aparelho N8, a Nokia perdeu no último ano 14,4 pontos de market share, enquanto a Apple ganhou nove. Na França, o iPhone já vem alcançando a líder e é o segundo smartphone mais vendido do país, seguido de aparelhos Google e Blackberry.

A tendência é que a competição fique ainda mais acirrada. Mesmo com o altíssimo índice de penetração da telefonia celular nos países europeus, o mercado de smartphones ainda tem muito pra crescer. A Nokia que se cuide, porque a Apple já começou uma revolução silenciosa nos metrôs de Paris.

iPhone iPhone iPhone iPhone iPhone smartphone

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Rastreamento de encomendas na França

Eu tenho que confessar que não sou fã dos serviços aqui da França. Essa cisma que eles têm de fazer tudo por carta é super irritante, nada eficiente e extremamente anacrônica. Só pra dar um exemplo básico, outro dia eu estava fazendo uma compra pela internet e precisava confirmar a operação digitando um código que eu receberia por SMS. O problema é que eu não tinha celular na época em que abri a conta, então eles não tinham o número pra mandar a mensagem. Fácil de resolver: é só entrar no site do banco e cadastrar, certo? PÉÉÉM! Errado! Tem que entrar no site do banco, baixar um formulário em PDF, preencher à mão, enviar pelos correios, esperar uns dias até receber a confirmação do cadastro e aí sim finalizar a compra. Praticidade zero.

Mas talvez por causa desse apego pelo sistema postal, várias facilidades referentes ao segmento acabaram sendo desenvolvidas. Uma das mais legais é a conta do twitter @suivi_avec_lisa, um bot criado pelo grupo La Poste (os Correios daqui) com o objetivo de acompanhar encomendas registradas. É só seguir a conta mencionada, esperar que ela te siga – é automático – e em seguida mandar uma DM pra ela com o número da encomenda.


A partir daí, todas as vezes em que o status da entrega for atualizado, você recebe uma DM informando o paradeiro do seu pacote ou carta.

Bacana, né?

domingo, 12 de dezembro de 2010

Diário de uma sedentária

Eu juro que tentei ser uma pessoa fisicamente ativa quando cheguei em Paris. Fiz matrícula no Club Med Gym, paguei um ano adiantado e comecei animadona pra perder uns quilinhos, diminuir o estresse e a dor na coluna. Mas aí foi ficando frio e foi dando cada vez mais preguiça de sair de casa e andar vinte minutos pra chegar lá, e eventualmente eu acabei assumindo que eu detestava a academia, detestava os professores, detestava a série de musculação ridícula que me passaram e parei de ir.

Um belo dia eu descobri uma estúdio de yoga e pilates bem pertinho de casa e comecei a fazer aulas, animadona de novo. Só que deu agosto e em agosto tudo fecha em Paris, inclusive estúdios de yoga e pilates. Quando teve a rentrée em setembro, que é o equivalente francês da volta do Carnaval e quando tudo começa a funcionar de verdade, eu fiquei enrolando pra voltar, ficou frio de novo e eu acabei nunca mais voltando.

Aí semana passada eu comprei pela internet um vélo elliptique, que é aquele aparelho que no Brasil a gente chama de elíptico ou transport. Chegou sexta de manhã e eu fiquei mais uma vez animadona. Só tinha me esquecido que aqui as coisas não são tão fáceis assim e que eu teria que montar meu vélo sozinha, o que não me parecia nada legal depois que eu penei pra realizar o simples ato de tirar as peças de dentro da caixa. O manual de montagem foi ainda mais cruel ao dizer que era necessário o trabalho conjunto de duas pessoas pra realizar a tarefa.

Dez horas e algumas crises de nervos depois, consegui finalmente terminar de montar o troço. Ironicamente, a atividade me custou uma puta piora na minha dor na coluna e um bocado de estresse, que eu por consequência aliviei comendo todas as (poucas, ainda bem) coisas doces da despensa. Tô moída e desanimadona. Mas dessa vez, depois desse trabalho todo, vai ter que dar certo.



terça-feira, 28 de abril de 2009

Chèque annulé

A burocracia francesa é um troço muito esquisito mesmo. Aqui eles exigem pra tudo um documento chamado RIB (Relevé d'Identité Bancaire), que é um papel com as suas coordenadas bancárias, como número de conta, agência, nome do titular, endereço do banco. Até aí, tudo bem. O que eu achei bizarro foi o tal do chèque annulé que algumas instituições pedem. Trata-se de um cheque anulado, como o nome em francês já dá a entender, e você tem que preenchê-lo com "zero" e "annulée". Serve para informar as suas coordenadas bancárias, como número de conta, agência, nome do titular, endereço do banco. Alguma semelhança com o RIB?

Mas isso ainda não é o pior. A incoerência é que às vezes eles pedem o RIB e o chèque annulé. Não sei se eu tenho cara de quem falsifica RIB ou se alguns prestadores de serviço são paranóicos, mas já aconteceu comigo. Ou então, vai ver, eles se divertem com a desgraça alheia.

A propósito, aqui eles usam muito cheque. Não sei se é porque tem que pagar uma mensalidade pra usar o cartão de débito (uns 11€ por mês) ou se é hábito mesmo. Então, aqui vai um servicinho de utilidade pública pra variar um pouco das baboseiras: como preencher um cheque francês (é bem parecido com o cheque brasileiro, mas a formatação é um pouco diferente). A fonte da informação é o site Lost in France.


1) Payez contre cheque: Aqui é onde se escreve o valor do cheque por extenso. Pode-se escrever os centavos em letras ou números.

2) €: O valor em números.

3) À: O nome da pessoa ou empresa a quem se destina o cheque.

4) Fait à (ou só À): A praça (cidade) onde o cheque foi preenchido.

5) Le: Data do cheque.

6) Signature: Assinatura. Atenção, porque às vezes não tem escrito Signature, só tem um espaço maior em branco onde se supõe que tem que assinar.

sábado, 25 de abril de 2009

Eu vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes

Sabe o lance dos franceses tomarem banho? Desdigo. Agora que tá ficando mais quentinho, sinto mais cheiros desagradáveis no metrô, nas lojas, nas ruas. Claro que não se deve generalizar e dizer que são os franceses que fedem porque aqui tem gente do mundo inteiro, bla, bla, bla; logo, vamos refrasear: algumas pessoas que moram na França fedem. E essas que fedem, fedem por todo o resto. Não quero nem ver no verão.


Sabe o lance dos serviços de atendimento aos clientes serem ótimos? Desdigo. Quando o assunto envolve preencher algum formulário ou mandar algum documento, qualquer regra de relacionamento amigável é imediatamente esquecida e os franceses mostram o que eles têm de pior: a burocracia. Explico. Rafael comprou um celular pela internet que chegou direitinho aqui, junto com um envelope gordo com vários papéis a preencher e uma lista sem fim de cópias de documentos a serem enviadas junto com os papéis devidamente preenchidos. Depois de uns dois dias tentando entender tudo o que eles pediam, enviei pelo correio a papelada para o endereço informado pela Orange. Tudo certo? Nada! Duas semanas depois, eles mandam uma nova carta informando que eu não enviei nada do que eles pediram. Em anexo, todos os formulários novamente e uma gentil ameaça de cortar o celular do senhor meu marido. Acho que no próximo envelope vou mandar junto com os documentos um pouquinho de antrax.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Atendimento ao cliente

Pode ser que eu tenha tido sorte, mas desconfio que os serviços de atendimento ao cliente aqui na França são muito melhores que no Brasil. Claro que a minha amostragem de contatos com empresas ainda é pífia, mas a porcentagem de satisfação é sem precedentes: 100%.


Explico. No final do mês receberemos Luiz e Dani, os primeiros hóspedes da Chez Pessurno. Eles compraram ingressos pro show do Metallica que vai ter em Paris e mandaram entregar aqui em casa, mas por algum motivo que desconheço o código eletrônico para entrar no prédio estava ligado durante o dia e o entregador não conseguiu entrar. A Dani viu no site do Fedex que o pacote havia voltado para a agência do Fedex porque o endereço estava incompleto, e eu mandei um email pra eles pedindo esclarecimentos. Meia hora depois – meia hora depois! – me ligaram do Fedex explicando a situação do código eletrônico e marcando uma hora hoje para entregarem os ingressos. E o entregador chegou no horário marcado. Fiquei chocada!

A outra situação em que eu tive que entrar em contato com um serviço de atendimento foi quando fiz uma compra na Amazon e depois de dois dias o pedido constava no site deles como entregue. Mandei um email pro site, respondido muito gentilmente em menos de duas horas, que esclarecia que o tipo de encomenda que eu tinha feito não precisava de assinatura no recebimento e solicitando que eu checasse com o zelador do prédio ou com algum amigo que pudesse ter recebido por mim. Pronto, pensei, bateram em qualquer porta e o vizinho roubou a minha encomenda. Depois de uma ida desesperada à agência La Poste mais próxima, na qual eles me confirmaram que a entrega já tinha sido feita mesmo, acabei descobrindo que existe uma caixa de correio maior na qual os carteiros colocam os pacotes que não cabem na caixa pessoal. Uma caixa sem chave, que qualquer um pode abrir, e o pacote estava lá intocado. Chocada, chocada.

Agora quero ver como funciona o atendimento ao cliente da minha operadora de celular, a Orange. Parece que a Bouygues, das três que operam aqui (Orange, Bouygues e SFR; tem MVNOs* como a Virgin, mas as operadoras mesmo são essas), teve seu serviço ao cliente eleito como o melhor das três. Ela deve demorar uma hora para resolver o problema do cliente e as outras devem demorar, sei lá, uma hora e meia. Se bem que, por experiência, não sei se operadoras de celular resolvem as coisas rapidamente em qualquer lugar do mundo que seja. Mas pode ser que eu tenha uma boa surpresa ou que o serviço deles seja tão bom que eu nem precise ligar. Tomara.

* MVNO é a sigla para Mobile Virtual Network Operator, que é, simplificando, uma operadora que tem uma marca mas não tem a infra-estrutura e/ou licença própria para fornecer serviço móvel, e usa os recursos de uma operadora que os tem. A Virgin Mobile é um bom exemplo desse tipo de prestação de serviço.