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quinta-feira, 11 de março de 2010

Em Glasgow

Era um dia qualquer do mês passado. Toca o telefone; era o Pierre:

– Ma, a Ryanair tá em promoção! Vamos pra Glasgow no primeiro fim de semana de março?
– Mas o que tem em Glasgow?
– Não sei, mas tá muito barato.
– Então vamos.

Fomos. Mas a pergunta meio que permanece mesmo depois da viagem: o que tem em Glasgow?

Glasgow é a maior cidade da Escócia e a terceira maior do Reino Unido, o que faria supor que tem muita coisa interessante lá. Só que seu crescimento aconteceu principalmente a partir da Revolução Industrial, o que faz com que os prédios antigos e charmosos sejam poucos e as construções cinzas e as casas sem graça de tijolinhos sejam muitas. A expectativa geral da nossa comitiva – eu, Rafa, Gi e Pierre – era de encontrar uma espécie de Dublin em tamanho ampliado, mas, embora os escoceses sejam tão simpáticos quanto os irlandeses, as duas cidades são bem diferentes entre si. Glasgow, claro, sendo pior.

Mas, vá lá, tudo tem seu lado bom.

Os escoceses ;-)

No Centro da cidade, um dos lugares mais interessantes é o GoMA, a Gallery of Modern Art. Em frente, uma sensacional estátua do Duque de Wellington com um cone de trânsito na cabeça.

GoMA

Duque de Wellington fanfarrão

Logo ali perto, tem a George Square, na qual fica a City Chambers.

City Chambers ali atrás

Passamos também pelo Scottish Exhibition & Conference Center, que tem um quê de Ópera de Sidney. Estava rolando uma manifestação pedindo educação de qualidade para todos no futuro, ou algo que o valha. Não sei exatamente qual é a crise, mas aparentemente o sistema universitário está sofrendo algumas mudanças que não agradam a todos.

Scottish Exhibition & Conference Center

Mas o lugar mais bonito que vimos, na minha opinião, foi a University of Glasgow, que data do século XV. A arquitetura da escola de bruxaria de Hogwarts, onde estuda Harry Potter, teria sido inspirada nesta universidade escocesa.

University of Glasgow

Perto de lá fica o Kelvingrove Museum & Art Galery, que também é uma construção bem bacana.

Kelvingrove Museum & Art Galery

E aí a gente desistiu de conhecer a cidade e se entregou ao álcool em vários bares...



... inclusive o Òran Mór, um bar que era uma igreja! Amém!




sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Conto de fadas

Era uma vez um excêntrico rei chamado Ludwig II. Filho de Maximilian II, ele passou boa parte de sua vida frequentando Hohenschwangau, um castelo neogótico do século XIX que seu pai mandou reconstruir sobre as fundações de um castelo fortificado da Idade Média. Ludwig curtia Hohenschwangau, mas quando virou rei, achou que deveria ter um castelo pra chamar de seu.

Hohenschwangau

Ludwig tinha visitado a Turíngia em 1867 e tinha gostado muito de um castelo chamado Wartburg. Assim, pediu ao arquiteto Christian Jank que fizesse um projeto baseado naquela construção, mas que fosse ainda mais imponente. Começava assim a ser erguido o então Neue Hohenschwangau na montanha ali do ladinho do castelo de seu pai. O ansioso rei comprou uma luneta e ficava em Hohenschwangau acompanhando a construção da casa própria.

Neuschwanstein

Pátio interno

Marienbrücke, a ponte de onde se tem...

... essa vista

O soberano não se ligava muito em política; preferia a arte, a música e a natureza. Também tinha grande respeito e admiração pela Idade Média, e quis que sua nova casa tivesse referências a todos os seus interesses. Assim, o castelo foi sendo construído e decorado de forma bastante espalhafatosa, com pinturas idealizando a época medieval, quadros renascentistas, esculturas de cisnes, um lustre dourado enorme em forma de coroa e até uma surreal gruta artificial.

Mas o destino reservava para o rei uma reviravolta. Por causa da construção de sua extravagante morada, o Estado foi praticamente à falência. Decidiu-se então que o rei estava louco e o depuseram. Após seu isolamento no Castelo de Berger, Ludwig teve pouco tempo de vida: ele e seu médico foram encontrados afogados num lago. Ainda se especula sobre as condições misteriosas de sua morte.

O castelo do rei foi então renomeado Neuschwanstein, e algum tempo depois serviu de inspiração para que um senhor chamado Walt Disney construísse no distante reino da América um castelo para a Bela Adormecida, que por sua vez serviu de modelo para o da Cinderela.

E todos viveram felizes para sempre.

Fim.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Munique, capital da Oktoberfest

Primeiro dia em Munique. Estávamos nós na Marienplatz bebendo uma cerveja e comendo uma salsicha com chucrute quando, de repente, vejo um cara segurando uma placa de Free Tour, o mesmo tour que eu fiz em Berlim. Terminamos a refeição e nos juntamos ao grupo.

O lance desses tours gratuitos é que eles não são exatamente gratuitos: os guias pedem que você deixe uma gorjeta se gostar do passeio, no valor que quiser. E no final você deixa, porque vale a pena.

Então. Saímos da Marienplatz e fomos em direção à Frauenkirche, uma igreja gótica – oh, que surpresa! – do século XV que foi bastante bombardeada durante a Segunda Guerra. Conta a lenda que o Diabo em pessoa visitou essa igreja quando ela estava sendo construída e fez um acordo com o responsável pela obra: se ele não colocasse nenhuma janela no prédio, Sua Malvadeza garantia que a obra terminaria em no máximo vinte anos. Só que o construtor era malandro e mandou fazer as janelas mesmo assim, e, para enganar o Diabo, colocou colunas que estrategicamente as escondiam do ponto de vista de quem entra na igreja. Quando o Diabo voltou para ver se o acordo havia sido cumprido, acabou descobrindo a malandragem do construtor e ficou tão bravo que bateu o pé no hall de entrada da igreja e ali deixou uma marca para sempre.

Frauenkirche

Teufelstritt, a pegada do Diabo

Passamos por várias outras igrejas, mas entrar durante o tour, só entramos mesmo na Frauenkirche. Nas outras, como a Michaelskirche e a Peterskirche – que tem uma torre de onde se vê toda a cidade –, entramos nos dias seguintes.

Michaelskirche

Peterskirche

Vista da torre da Peterskirche

Marienplatz de cima

Outro lugar bem interessante por onde o tour passa mas não entra é o complexo da Residenz, onde moravam os reis da Baviera. Tem um bilhete conjunto com o qual se pode visitar o palácio, o lindo Cuvilliés-Theater e o Tesouro, onde há, entre jóias e coroas, uma bizarra coleção de relíquias com pedaços dos corpos de vários santos (sim, é isso mesmo, pedaços dos santos... tem mão, crânio, fragmentos de ossos, uma beleza).

Quarto do palácio

Cuvilliés-Theater

O guia também mostrou vários memoriais homenageando judeus e várias pessoas que lutaram contra o nazismo, além de diversos marcos relacionados a essa época tão absurda da história. Munique tem essa era gravada em cada rua, em cada prédio, em cada canto; era chamada a capital do movimento nazista.

Mas vamos falar de coisas mais alegres. Hoje, Munique é a capital da Oktoberfest, e nós estávamos lá na hora certa. Então, acabamos de ver a cidade e começamos outro tour ainda mais divertido: o dos bares, chamado Beer Challenge. Foram dois bares e um jardim de cerveja, e pra fechar com chave de outro, a Oktoberfest.

Jardim de cerveja da Augustinerbräu, "provavelmente a melhor cerveja do mundo" segundo o nosso guia

A cerveja que o Papa bebe vem num barril

Tenda da Hacker-Festzelt

Pessoal que fez o tour com a gente

A câmera também estava bêbada

Como já chegamos lá meio tortos no primeiro dia, resolvemos voltar no dia seguinte sóbrios pra entender melhor o que é a festa. Claro que o estado de sobriedade não durou muito tempo, mas tudo bem, deu pra pegar o espírito da coisa.

A Oktoberfest é um grande complexo de tendas de diversos fabricantes de cerveja. Também tem barraquinhas de comida e brinquedos de parque de diversões. Muitas pessoas se vestem com trajes típicos alemães; trajes estes que, segundo uma local com quem conversei, podem chegar facilmente a custar 600 ou 700 euros!

As canecas são todas de 1 litro, e, segundo a tradição, não é pra dividir com ninguém. Provavelmente por esse motivo, todo mundo fica muito sociável e em cinco minutos de conversa já vira seu amigo de infância, ou seja, na Oktoberfest o estereótipo de alemão sisudo não se aplica. E como as mesas são grandes e coletivas, a gente acaba conversando, brindando, cantando e dançando em cima do banco com bastante gente.

Eles avisaram: "A mesa vai voar!"

Eu e a local

Hein?

Elas são fortes


"Quer ver eu dar um soco na cara do meu amigo?"

Aliás, uma coisa que eu não sabia bem era essa história de ter ou não que reservar uma mesa. Fomos num espírito de "vamos ver no que dá", porque antes da viagem nos disseram que, pra ir na Oktoberfest e beber sentado, só reservando meses antes. Isso é parcialmente verdade. Algumas tendas realmente não te deixam entrar se você não tiver uma reserva, mas várias não têm essa restrição. É claro que não vai ter nenhum lugar vago e muita gente vai estar bebendo em pé, mas é só prestar atenção que você logo vê alguém levantando e aí é só sentar. Lá é assim: levantou, perdeu o lugar.

Independente da tenda em que se vá, a cerveja é ótima. Isso se deve à Reinheitsgebot, a Lei da Pureza de 1516 que determina que toda cerveja produzida na Bavária tenha em sua composição somente três ingredientes: água, cevada e lúpulo. Mais tarde foi acrescentado o fermento na equação, mas mesmo depois que a lei caiu, os fabricantes bávaros continuaram seguindo a fórmula. O resultado disso é que a cerveja de lá não dá ressaca. É sério. Palavra de quem bebeu quatro litros em um dia e no dia seguinte acordou só com sede.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mais carros em Stuttgart

E já que o tema da viagem é carro, acabamos parando em Stuttgart. Explico. Stuttgart é a cidade onde fica a Mercedes-Benz e a Porsche, e ainda seus respectivos museus.

Também é a capital da região de Baden-Württemberg e um importante centro cultural da Alemanha. E, fora os supracitados museus das montadoras, dá pra conhecer tudo em um dia, pois o que tem pra ver está concentrado em uma área bem pequena.

Começamos pela Schlossplatz (schloss significa castelo, e é uma das poucas palavras em alemão que eu consegui decorar), que nada mais é que uma praça grande com um castelo, o Neues Schloss. Lá também tem o Jubiläumssäule, uma coluna do século XIX erguida para comemorar os 25 anos do reinado de Guilherme Iº.

Neues Schloss e Jubiläumssäule

Logo depois tem o Altes Schloss, que abriga o Würtemberbergisches Landesmuseum...

Pátio interno do Altes Schloss

... e o Staatstheater com sua fachada neoclássica.

Staatstheater

Os museus de automóveis são mais afastados do centro, mas é rapidinho chegar em ambos de metrô.

O Porsche Museum tem um prédio todo modernoso e um grande acervo de automóveis antigos e novos. Parece que é possível visitar a linha de montagem, mas como fomos no fim de semana, a fábrica estava fechada.





O Mercedes-Benz Museum é bem didático, e separa a sua coleção por períodos. Antes de entrar em cada andar, passamos por um corredor onde se situa o momento histórico em que aqueles carros foram produzidos. Ali, aprendi que na Segunda Guerra a demanda por armamentos era tão grande que a empresa parou de fabricar automóveis para fabricar armas, e que uma parte da mão de obra usada por eles vinha dos campos de concentração.

Por isso que eu não tenho um Mercedes. Só por isso.




quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Frankfurt am Main

Não fomos para Frankfurt por causa de Frankfurt, isso é fato. O objetivo principal era o Salão do Automóvel (IAA - Internationale Automobil-Ausstellung), mas já que estávamos lá acabamos passeando pela cidade... e gostamos!

Frankfurt não é bonita à primeira vista; é um grande centro financeiro europeu e tem várias indústrias, o que pode ser simplificado dizendo que lá tem muito prédio, muito cinza e muita gente. Mas quando a gente vai descobrindo os lugares interessantes, em especial na parte antiga da cidade, vai simpatizando cada vez mais com ela.

Um dos lugares de destaque é o Römerberg, a praça central da cidade antiga, onde eram realizadas grandes feiras na Idade Média.


Perto dali encontramos a Kaiserdom, a catedral imperial onde eram coroados os reis germânicos a partir do século XIV e posteriormente os imperadores do Sacro Império Romano-Germânico a partir do século XVI.

Kaiserdom

Interior da Kaiserdom

Outro local interessante de ver é a casa onde nasceu Goethe. O prédio ao lado abriga um museu cujo acervo é relacionado com a vida do escritor. À noite, a região perto do museu é bem animada, com vários bares e restaurantes legais.

Frankfurt também possui diversos outros museus e igrejas, além de uma linda ópera antiga em estilo renascentista e uma ópera nova super moderna, toda de vidro.

Mas o que a gente foi mesmo fazer lá foi ver carro.

O Salão de Automóvel de Frankfurt acontece na Messeturm, uma área de feiras imensa bem no centro da cidade. São vários pavilhões, acho que uns onze, e todos eles estavam ocupados com exposições de carros. Algumas montadoras, como Mercedes-Benz e BMW, tinham o luxo de um pavilhão inteiro só pra elas.

Messeturm

Nunca na vida eu vi tanto carro que eu não posso comprar. Vários automóveis lindos e caros da Porsche, Ferrari, Bentley, Audi, Alfa Romeo, Jaguar, Aston Martin... se eu, que nem sou muito ligada nisso, já fiquei impressionada, imagina os (muitos) exemplares do sexo masculino que estavam lá! Parecia que estavam num parque de diversões, entrando nos carros e mexendo em tudo, tirando fotos de cada detalhe.

Rafael e o Audi

Que bobagem...

Brincando no Porsche

Pessoas babando