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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Quem quer uma Birkin a 35 dólares?

Pra que ficar numa lista de espera interminável e desembolsar pelo menos US$ 7.000 pra ter uma Birkin quando se pode comprar uma por US$ 35?


Bem, evidente que não é uma Birkin de verdade, mas uma espécie de simulacro divertido da it bag. Criada pela Thursday Friday, a Together é basicamente uma ecobag estampada com uma foto da famosa bolsa da Hermès. O produto ganhou tanta notoriedade que já tem uma lista de espera de três meses pra comprar uma.

Moda, teu nome é ironia.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Sobre o amistoso entre o galo francês e a passista brasileira

O galo contra a passista, entre muitas penas e cores. A campanha publicitária do amistoso Brasil x França criada pela DDB Paris para a Fédération Française de Football, apesar de visualmente interessante, reforça mais uma vez o estereótipo do Brasil como o país da mulher-seminua-pra-gringo-ver-no-carnaval. É claro que o conceito é antigo e a agência só usou uma referência cultural de fácil entendimento pro público francês, sem agendas ocultas pra desmoralizar o povo brasileiro. Mas que parece alfinetada, parece.

(É, eu estou sendo bem parcial aqui. Mas vamos esclarecer que o eu-lírico desse texto é a brasileira e não a publicitária).


A partida, que acontecerá no dia 09 de fevereiro no Stade de France, promete ser um embate dos bons, com as duas seleções querendo fazer bonito com suas camisas, treinadores e jogadores novos no primeiro amistoso do ano. Da parte deles, uma provável presunção por enfrentar um freguês em casa. Da nossa parte, espero, muita vontade de ganhar os presunçosos na casa deles e dar o troco pela derrota na final da Copa de 98.

Oxalá que, dessa vez, a passista brasileira depene o galo francês. Que sambe no poleiro dele. Que faça um caldo da galinha azul.

(Desculpem, me excedi nas piadinhas infames e sem graça. A culpa não é minha; quem escreveu isso foi meu eu-lírico sedento de vingança).

sábado, 15 de janeiro de 2011

Arte urbana em Paris: Jef Aérosol na Rue de l'Arbalète

Sim, Banksy é muito legal. Mas na década de 90, quando ele começava a grafitar as ruas de Bristol, já tinha um bocado de gente boa fazendo street art pelo mundo. Um desses caras é o francês Jef Aérosol.

Jef começou a trabalhar com estêncil em 1982, depois de experimentar colagens e distorções de fotocópias na década de 70. Ele foi um dos primeiros a levar a arte para as ruas, e ganhou notoriedade com suas obras provocativas, nas quais ícones pops e personagens anônimos ganham vida em texturas, cores e palavras. O artista atualmente mora e trabalha em Lille, mas já deixou sua marca em cidades como Londres, Veneza, Chicago e Paris.

De acordo com o Flickr do artista, essas intervenções na Rue de l'Arbalète datam de 2007.



sábado, 8 de janeiro de 2011

Propaganda do iPhone na França (e uma paródia da propaganda)

O primeiro vídeo é do anúncio veiculado na TV quando o iPhone foi lançado pela Orange, uma das principais operadoras de telefonia celular da França. Em francês, orange também significa laranja.

No segundo vídeo, uma paródia do primeiro, o usuário baixa um aplicativo que tem a função de encontrar o ponto de venda de maconha mais próximo. Nessa versão, o iPhone é lançado pela fictícia Vert, que significa verde.

Atualização: Para facilitar a vida dos que não falam francês, inseri legendas em ambos os vídeos. Caso você não as visualize, leia essa ajuda do Youtube para ativá-las.



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sarkozy remove cera do ouvido e cheira

Tira a cera com o dedo, olha a cera, cheira o dedo. Porra, Sarkozy!

O mercado europeu de smartphones

É fato notório que, em ambientes públicos, os moradores de Paris têm necessidade de portar um escudo, algum objeto que evite o contato com outros seres humanos. Antes, esse escudo geralmente era um livro. Agora, cada vez mais, ele toma a forma de um smartphone.

E aí era uma opinião baseada pura e somente na observação das pessoas no metrô, mas eu sempre achei que não existiam mais telefones de outra marca e que todo mundo por aqui tinha se rendido à Apple. Porque no metrô, excluindo aí os turistas, só se vê gente de fone no ouvido e olhos no próprio iPhone – exceto eu, que fico reparando no iPhone dos outros. Claro que, como toda teoria sem fundamento, a minha suposição estava errada. Mas não totalmente.

Uma pesquisa feita pela comScore apresenta dados recentes sobre o uso de smartphones na Europa. Uma das conclusões do estudo é que em todos os países analisados (França, Reino Unido, Itália, Espanha e Alemanha) a Apple é a que mais cresce em termos percentuais, embora não tenha a liderança do mercado. Pelo menos não ainda.

O Symbian – que embora utilizado por outros fabricantes é quase sinônimo de Nokia – ainda é a plataforma líder com 54,4% do mercado, mas vem perdendo cada vez mais espaço depois do lançamento dos sistemas da Apple (Apple OS) e do Google (Android). Mesmo apostando numa eventual retomada de vendas com o novo aparelho N8, a Nokia perdeu no último ano 14,4 pontos de market share, enquanto a Apple ganhou nove. Na França, o iPhone já vem alcançando a líder e é o segundo smartphone mais vendido do país, seguido de aparelhos Google e Blackberry.

A tendência é que a competição fique ainda mais acirrada. Mesmo com o altíssimo índice de penetração da telefonia celular nos países europeus, o mercado de smartphones ainda tem muito pra crescer. A Nokia que se cuide, porque a Apple já começou uma revolução silenciosa nos metrôs de Paris.

iPhone iPhone iPhone iPhone iPhone smartphone

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Rastreamento de encomendas na França

Eu tenho que confessar que não sou fã dos serviços aqui da França. Essa cisma que eles têm de fazer tudo por carta é super irritante, nada eficiente e extremamente anacrônica. Só pra dar um exemplo básico, outro dia eu estava fazendo uma compra pela internet e precisava confirmar a operação digitando um código que eu receberia por SMS. O problema é que eu não tinha celular na época em que abri a conta, então eles não tinham o número pra mandar a mensagem. Fácil de resolver: é só entrar no site do banco e cadastrar, certo? PÉÉÉM! Errado! Tem que entrar no site do banco, baixar um formulário em PDF, preencher à mão, enviar pelos correios, esperar uns dias até receber a confirmação do cadastro e aí sim finalizar a compra. Praticidade zero.

Mas talvez por causa desse apego pelo sistema postal, várias facilidades referentes ao segmento acabaram sendo desenvolvidas. Uma das mais legais é a conta do twitter @suivi_avec_lisa, um bot criado pelo grupo La Poste (os Correios daqui) com o objetivo de acompanhar encomendas registradas. É só seguir a conta mencionada, esperar que ela te siga – é automático – e em seguida mandar uma DM pra ela com o número da encomenda.


A partir daí, todas as vezes em que o status da entrega for atualizado, você recebe uma DM informando o paradeiro do seu pacote ou carta.

Bacana, né?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sephora, me chicoteia!

sephora paleta maquiagem

Funciona assim: você entra na Sephora pra dar uma olhada porque estava passando por ali mesmo, que mal faz? De repente vem uma moça sorridente querendo te ajudar, e você comenta alguma coisa sobre um primer do qual ouviu falar.

Em pouco mais de um segundo você está sentada numa cadeira sem saber direito como foi parar lá, e a moça sorridente está lambuzando metade do seu rosto com o primer que você mencionou e completando o look com uma base, uma sombra, um blush, um batom e um iluminador que, pode confiar, vão muito bem com a sua pele.

Aí ela vem com o espelho e te mostra a metade mais bonita do seu rosto, a metade que está maquiada. Ela está com a vantagem. Pra sair dali linda, você depende da boa vontade da moça sorridente; se você for legal e mostrar intenção de comprar pelo menos um dos produtos, ela maquia a outra metade. Só que a esse ponto você nem precisa mais fingir interesse, e pensa como foi que viveu tanto tempo sem aquela base, aquele blush, aquele batom e aquele iluminador incríveis.

No instante seguinte você está no caixa da loja com todos aqueles produtos e mais uma paleta promocional de maquiagem que tem trezentas cores de sombra, duzentas de gloss, uns creminhos coloridos que você não sabe pra que servem e um pincel pra cada coisa. A moça do caixa, também sorridente, te dá várias amostras grátis de cremes, perfumes e afins. Você é uma pessoa linda, cheirosa, hidratada e maquiada, além de provavelmente falida. Mas você está feliz, e é isso que importa.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Diário de uma sedentária

Eu juro que tentei ser uma pessoa fisicamente ativa quando cheguei em Paris. Fiz matrícula no Club Med Gym, paguei um ano adiantado e comecei animadona pra perder uns quilinhos, diminuir o estresse e a dor na coluna. Mas aí foi ficando frio e foi dando cada vez mais preguiça de sair de casa e andar vinte minutos pra chegar lá, e eventualmente eu acabei assumindo que eu detestava a academia, detestava os professores, detestava a série de musculação ridícula que me passaram e parei de ir.

Um belo dia eu descobri uma estúdio de yoga e pilates bem pertinho de casa e comecei a fazer aulas, animadona de novo. Só que deu agosto e em agosto tudo fecha em Paris, inclusive estúdios de yoga e pilates. Quando teve a rentrée em setembro, que é o equivalente francês da volta do Carnaval e quando tudo começa a funcionar de verdade, eu fiquei enrolando pra voltar, ficou frio de novo e eu acabei nunca mais voltando.

Aí semana passada eu comprei pela internet um vélo elliptique, que é aquele aparelho que no Brasil a gente chama de elíptico ou transport. Chegou sexta de manhã e eu fiquei mais uma vez animadona. Só tinha me esquecido que aqui as coisas não são tão fáceis assim e que eu teria que montar meu vélo sozinha, o que não me parecia nada legal depois que eu penei pra realizar o simples ato de tirar as peças de dentro da caixa. O manual de montagem foi ainda mais cruel ao dizer que era necessário o trabalho conjunto de duas pessoas pra realizar a tarefa.

Dez horas e algumas crises de nervos depois, consegui finalmente terminar de montar o troço. Ironicamente, a atividade me custou uma puta piora na minha dor na coluna e um bocado de estresse, que eu por consequência aliviei comendo todas as (poucas, ainda bem) coisas doces da despensa. Tô moída e desanimadona. Mas dessa vez, depois desse trabalho todo, vai ter que dar certo.



sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Paris, 4 graus


Neva.

É a primeira neve, e ainda nem chegou o inverno.