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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Labradores e jaquetas

Passeando com a Maíra na Boulevard Montmartre, vimos vários ônibus estacionados num local não tão turisticamente convidativo quanto o usual, isto é: com museus e/ou jardins. Eram adolescentes indo ao Hard Rock Café Paris. Coisa da década de 90, quando a moda era ter o casaco jeans da marca ou pelo menos um moletonzinho. Na escala de poder de fogo tinha ainda o casaco jeans com as mangas em couro (classe média-plus) e o inteiro em couro (classe média-plus-gold).

Pois bem, o que me chamou a atenção não foi a garotada ou o Hard Rock Café e sim o nome do ônibus: Rona Bus. Rona é o nome da minha labradora, agora sendo criada e desregulada socialmente por seus avós e tios no Brasil. São 50 quilos de “coisa preta”, como diria meu pai, abanando o rabo e parecendo muitíssimo feliz o tempo todo. Adoro quando vejo um por aqui, principalmente sem coleira. Cachorro andando sem coleira na rua é pra mim o equivalente a ver um garoto de 5 anos descascando Beethoven no piano. Senão melhor!

O porquê do nome Rona? Ora bolas, porque ela é uma cachorRONA!

O Rona Bus

A Rona

Rona e Branca

sábado, 18 de abril de 2009

Allez, rugby, allez

Segundo a lenda, o Rugby foi nascido nas mesmas raízes do futebol. Dizem que um cara jogando futebol na Inglaterra em 1823 cansou de usar as pernas, pegou a bola na mão como se não houvesse amanhã e saiu no pinote. Mais uma sacada dos Bretões que ao mesmo tempo criam esportes e não sabem como se ganha neles.

Como a Maíra já jogou esse negócio, coisa esta que sempre causava furor com meus colegas Europeus, tipo: "o que, não era você, era a sua mulher que jogava, uma fêmea?!?!" resolvi fazer uma surpresa e levá-la a um jogo ao vivo. Os times eram Stade Français, da casa, e Montpellier. Primeira informação relevante: o Stade Français tem uniforme rosa cheio de florzinhas... huumm, fofo.

Outras coisas que fizeram deste jogo ao vivo muito bom foi o contraste entre a brutalidade das jogadas e a extrema educação do público. Sério, os caras batiam palmas até quando o time visitante fazia ponto! Nesse meio tempo vi um cara dar um pescoção no adversário que me doeu só de ver. Quando rolava uma falta e o time decidia chutar direto pro gol, ninguém abria o bico no estádio inteiro, independente do time. Ne-nhu-ma vaia, silêncio sepulcral. A absurda educação era tanta que tinha um cara torcendo pelo Montpellier no meio da galera do Stade Français na boa, gritando e tudo. Ninguém incomodava, nem um copinho de mijo na cabeça teve. Que coisa estranha.

Nessa partida lembrei de uma história contada por um colega americano. Ele me disse que assistindo futebol americano, sempre que alguém se contundia, o público esperava ansioso se ele iria levantar. Provando-se que tudo estava bem, todos aplaudiam, ficando contentes pelo bem estar do jogador. Esse mesmo cara me disse que foi ao Maracanã ver uma partida de futebol. Chocado, ele me contou: "as pessoas pareciam querer que o jogador morresse, elas vibravam quando ele tomava uma porrada e vaiavam quando se levantava". Diferenças.

Visão geral do jogo. Os caras de rosinha são do time da casa, o Stade Français. Allez, Paris, allez!

Não, ninguém deixou dinheiro cair no chão. Esse é o scrum

Sofrendo com o frio, mas recebendo o calor da torcida. Detalhe: um dos papagaios de pirata se parece com nosso amigo Alexandre

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Beleza real

A Elle que saiu sábado passado tem dado o que falar por aqui. Oito celebridades - Sophie Marceau, Monica Bellucci, Karin Viard, Charlotte Rampling, Chiara Mastroianni, Ines de la Fressange, Anne Parillaud e Eva Herzigova - aparecem num ensaio fotográfico sem maquiagem nem Photoshop, mostrando que elas são, sim, mulheres reais. Claro que é um marketing fabuloso que se converte em vendas acima da média, mas não deixa de ser uma idéia bacana.

São três capas diferentes:




terça-feira, 14 de abril de 2009

Niterói internacional

Revista de arquitetura numa banca de Paris

domingo, 12 de abril de 2009

Parc Astérix

É necessário confessar que a ida ao Parc Astérix ocorreu um dia depois da degustação da cerveja Deus. É necessário ainda acrescentar que a Deus não foi a única bebida que provamos naquela fatídica véspera, pois ainda tínhamos um bom estoque de cervejas belgas no armário. Então foi num clima de pouco sono e alguma ressaca que acordamos no sábado para ir para o parque de diversões do Astérix.

O parque é dividido em cinco "mundos": La Gaule, L'Empire Romain, La Grèce, Les Vikings e A travers le Temps. As melhores atrações do parque são, sem dúvida, as montanhas russas. Só que, mesmo tendo me divertido um bocado, fiquei com dores de cabeça fortes depois de cada uma delas.

Começamos pela Tonnerre de Zeus, que é uma montanha russa de madeira no mundo da Grécia, e cujo nome traduzido é Trovão de Zeus. As montanhas russas de madeira são conhecidas por não terem looping, por serem bem velozes e... por balançarem bastante! Aparentemente, estes são os baratos da Tonnerre de Zeus: os estalos, as quedas velozes, as viradas bruscas. Quando vi a foto que tiraram numa das quedas mais toscas do brinquedo, me assustei com a cara de pânico que eu fiz. Achei esse brinquedo muito turbulento e, mesmo se não tivesse fila, não iria de novo.

Tonnerre de Zeus

Pânico

De lá fomos para alguns brinquedos mais leves, porque eu, Rafael e Luiz estávamos totalmente desconcertados. Só a Dani, que não tinha bebido na véspera, queria repetir a dose, mas teve que ter pena dos moribundos e desistir da idéia.

Fomos no Défi de César, uma atração do Império Romano que começa com uma sessão de fotos da gente, que são em seguida inseridas num desenho animado que nos mostra como se fôssemos da legião romana. É engraçado. Passeamos pela Gália, onde fica a fofa vila do Astérix, e pouco depois resolvemos encarar a próxima montanha russa: La Trace du Hourra. Essa é uma delícia! Não sei explicar como funciona isso, mas ela não tem trilhos, e mesmo assim o carrinho vai deslizando bem rápido. Sensacional. De lá, corremos para o mundo dos Vikings para andar na Goudurix, a terceira e última montanha russa. Essa tem sete loopings, um atrás do outro, e também é bem legal.

Goudurix

A única coisa que achei chata no parque foi a desorganização das filas. Espera-se muito tempo para andar em cada brinquedo, e quando a gente chega lá na porta de cada um, a fila se divide em várias pequenas filas, uma para cada carrinho. Na primeira vez a gente não sabia o que fazer e várias pessoas saíram correndo na nossa frente. Também aconteceu de cairmos na fila do carrinho que tinha banco quebrado, e aí demorou mais para entrarmos porque ia menos gente. Mas, enfim, fora a dor de cabeça e as filas, foi um dia bem divertido.

sábado, 4 de abril de 2009

Caminho espiritual

É com imensa satisfação que informo a vocês que, após longa peregrinação, encontrei Deus. A jornada começou quando tomei conhecimento de Sua existência em Friburgo, mas na ocasião eu não tinha a sobriedade nem os recursos necessários para absorver Sua essência. Busquei Deus em muitos lugares após esta ocasião, mas quis o destino que eu só O encontrasse em Bruges, na companhia de Rafael, Luiz e Dani, que também estavam presentes no nosso primeiro contato em Friburgo. Nada é por acaso.


Experimentar a cerveja Deus é uma experiência rara e cara. No Brasil, uma garrafa custa quase R$ 300 no único bar em que já a encontrei, o Braun & Braun de Friburgo. Na Bélgica, nos custou 19€ numa loja especializada. Não é barato em relação a outras cervejas, mas se comparado com o preço de alguns vinhos e champanhes, é até razoável. O seu processo de fabricação é semelhante ao do champanhe, o que dá a ela um sabor um pouco adocicado e uma efervescência muito parecida com a do espumante. O gosto da Deus é bem suave, apesar de seu teor alcoólico ser de respeitáveis 11,5%, mais alto do que a maioria das cervejas que conheço. E só o fato de beber uma cerveja tão exclusiva já dá todo um gostinho a mais à degustação. Experiência divina, de fato.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Champagne-Ardenne

Finalmente passamos por uma região vinícola na viagem! A região de Champagne é a única que produz o verdadeiro champanhe, pois somente os espumantes desta região podem ser chamados assim conforme as regras da denominação de origem controlada. Além disso, a estrada da Route du Champagne é cheia de plantações de uva, o que dá uma graça extra ao passeio.

Reims

Adivinha qual é o nome da catedral da cidade de Reims? Ganha uma taça de champanhe quem respondeu Notre-Dame. E qual é o estilo desta catedral? Gótico, claro, pra variar. Apesar de ser a quadragésima nona Notre-Dame gótica que vimos, tivemos que entrar pra ver onde os reis da França eram coroados. Mais uma vez fiquei impressionada com a megalomania que o povo dessa época tinha ao construir esses templos imensos e extravagantes. Mas que é bonito de se ver, isso é.

Mas chega de igrejas. Em Reims, a atração principal é o champanhe. Fomos na visita à Maison Pommery e foi sensacional, pois além das explicações sobre o processo de produção do champanhe e da cave em si, tinha uma exposição de arte moderna muito bacana, que a guia explicava à medida que íamos visitando as galerias subterrâneas. Arte moderna é uma coisa meio controversa e algumas coisas eu acho picaretagem. Mas as obras que estavam expostas lá eram bem interessantes, como, por exemplo, o tanque de guerra inflável que simboliza os períodos de guerra (quando inflado) e paz (quando murcho), ou a instalação em que passarinhos pousam em guitarras para tocar música. Estranho, mas legal. E no final da visita, a melhor parte: a degustação. Duas taças de champanhe Pommery. Foi um dia feliz.

Reims também tem outras caves que organizam visitas. Tentamos ir na Veuve Clicquot, mas ao ligar para reservar horário, a ligação caía numa secretária eletrônica e tinha que deixar o número pra eles retornarem; achei esnobismo desnecessário e sabotei. Parece que a visita da Mumm é interessante, mas não tinha horário que coincidisse com a nossa programação. E também tem a Taittinger, que fica bem próxima da Pommery. Como Reims fica a 45 minutos de distância de Paris via TGV, ainda dá pra voltar lá. Oba!

Interior da Catedral de Reims

Maison Pommery: Passarinhos tocando guitarra

Maison Pommery: tanque inflável

Champanhe a perder de vista

Épernay

Mais uma visita a cave, desta vez a da Moët & Chandon. A Maison foi fundada em 1743 e pouco tempo depois disso já era a fornecedora oficial da corte francesa graças aos contatos de Monsieur Moët. Napoleão em sua época também era figurinha fácil nos salões da Maison, o que endossa o caráter “imperial” da marca, como eles fazem questão de lembrar aos visitantes. A visita não é tão cheia de firulas como a da Pommery, mas é legal também. E a degustação, é claro, foi ótima. Mas sinceramente prefiro o champanhe Pommery.

De Épernay viemos direto para Paris. Uma semana na estrada é uma delícia, mas voltar pra casa também foi gostoso, principalmente porque trouxemos no banco de trás do carro, tilintando, várias garrafas de cerveja belga e champanhe. Melhor souvenir, impossível.

Degustação na Moët & Chandon

Eu e Dom Perignon

Lorraine

Essa é uma região ainda a ser explorada... paramos somente em uma cidade no nosso caminho onde, é claro, comi um quiche lorraine verdadeiro :-)

Verdun

Nesta região aconteceu nos anos de 1916 e 1917 a Batalha de Verdun, na qual morreram quase 1 milhão de soldados. A Primeira Guerra é um tema ainda muito atual também nesta cidade, cujas atrações principais são a Citadelle Souterraine e o Ossuaire de Douaumont. A Citadelle Souterraine é um passeio peculiar, que usa tecnologia estilo parques da Disney para contar um pouco da batalha de Verdun, e no final explica como foi escolhido o “soldado desconhecido” que hoje tem seu túmulo simbólico sob o Arco do Triunfo, aqui em Paris. O Ossuaire de Douaumont guarda os restos mortais de mais de 300 mil soldados mortos na região.

Ossuaire de Douaumont

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Luxemburgo

Luxemburgo, cuja capital chama-se Luxemburgo, é um mini-país que eu sempre quis conhecer, mais por ser um mini-país do que por qualquer outra coisa. Bônus: lá vimos uma estrada toda branquinha de neve.

Cidade de Luxemburgo

A cidade velha, pra variar, é a parte mais bonita da cidade, com suas pontes altas e prédios que parecem saídos de conto de fadas. Lá se fala francês, mas a surpresa foi descobrir que em Luxemburgo também se fala bastante a nossa língua, pois há uma colônia portuguesa no país. Achamos até uma rádio em português! Além disso, a moça que trabalhava no restaurante do nosso hotel era brasileira, e o recepcionista, embora de origem árabe, também falava português. Curioso.

Cidade velha

Bélgica

E chegamos na Bélgica, depois de nos perdermos algumas vezes antes de chegarmos na primeira cidade por causa da minha muquiranice de desligar o GPS do iPhone pra não pagar roaming internacional.

Bruges

Parece uma cidade de bonecas. Linda, linda, linda. O centro histórico é todo medieval e os prédios parecem feitos de lego, nem parecem de verdade. Os canais têm pontes fofas, e nestes canais nadam patinhos. Lá também encontramos Luiz e Dani, e aproveitamos com eles o que a Bélgica tem de melhor: cerveja e chocolate. Fomos no Cambrinus, um bar/restaurante que tem uma extensa carta de cervejas (até a Dani experimentou uma!) e também no Museu do Chocolate.

Claro que também fomos fazer o tradicional turismo de supermercado e compramos mais uma considerável quantidade de cervejas locais a preços mais camaradas que os dos bares. Como não temos vergonha na cara, pedimos à recepcionista que as guardasse na geladeira do bar do hotel, e por sorte ela topou. O plano era bebermos no bar mesmo, mas quando voltamos da rua, dois caras já estavam bebendo lá e resolvemos fazer a degustação no quarto, o que resultou no incidente do banho de cerveja do laptop e no conseqüente retorno ao plano original de beber lá embaixo no bar.

Acabamos fazendo amizade com os dois caras. Um deles era o dono do hotel e o outro era um amigo dele que falava português muito bem, e que já tinha estado no Brasil e tal. Eles explicaram pra gente de forma resumida e simplificada a história da Bélgica, que foi criada como um território neutro entre as fronteiras da França, Alemanha e Holanda pra que essa galera desse um tempo nas brigas territoriais. O resultado é que juntaram um povo que, segundo eles, não era pra ficar junto, o que dá a eles a sensação de que são um país, mas não uma nação. Em locais onde se fala prioritariamente o holandês, algumas pessoas se recusam a falar o francês, e vice-versa. Mais uma vez, vivendo e aprendendo.

Pelas ruas de Bruges

Markt Place e o Belfort no fundo

Nossa degustação de cervejas no bar do hotel

Bobagens no Museu do Chocolate

Bruxelas

Tenho que confessar que Bruxelas é muito menos do que eu esperava. A cidade é um pouco feia, com um quê de decadente. O que salva é a Grand Place, com seus lindos prédios antigos, e o imenso Atomium. Também foi legal a visita que fizemos à fábrica da Cantillon, que produz cervejas do tipo lambic, gueuze e kriek de forma artesanal. Ressalva: Rafael e Luiz gostaram, mas as cervejas deles são bem esquisitas pro meu gosto.

Degustação na Cantillon

Ah, Godiva...

Atomium

Waterloo

A cidadezinha perdida no meio da Bélgica ficou famosa pela batalha de mesmo nome na qual Napoleão foi derrotado, e ainda hoje vive da fama. Visitamos o Musée Wellington, que tem objetos relacionados à batalha (incluindo uma bizarra perna mecânica de um dos comandantes que lutou nela) e diagramas explicando como os franceses foram derrotados em apenas nove horas.

Maquete da batalha de Waterloo