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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Nord-Pas de Calais

A região Nord-Pas de Calais fica ainda mais ao norte, acima da Picardia.

Saulty

Na verdade nem conhecemos a cidade. A atração que nos fez parar em Saulty foi um dos muitos cemitérios britânicos situados na região. Este que vimos, o Warlincourt Halte British Cemetery, foi construído para enterrar quase 1.300 soldados que lutaram na Primeira Guerra no período de 1916 a 1918.

Cemitério britânico

Arras

Aconteceu na área dessa cidade uma grande batalha da Primeira Guerra. As duas praças da cidade, que são o atrativo turístico dali, foram reconstruídas no pós-guerra com estilo flamengo. Bonitinhas, mas não é uma cidade muito interessante de se visitar.

Casas em estilo flamengo numa das praças de Arras

Vimy

Este é um passeio bem bacana nos arredores de Arras, no Vallée de la Somme. Ali, o governo canadense preservou um campo de batalha da Primeira Guerra, com trincheiras, buracos de bomba... daí a pergunta: por que o governo canadense fez isso? Bem, parece que não só o Canadá participou da Primeira Guerra (fato que eu desconhecia completamente) como 66.000 canadenses morreram na França e na Bélgica. Vivendo e aprendendo. Também achei surpreendente como ficavam próximas as trincheiras de lados opostos: em alguns lugares, apenas 25 metros separavam as trincheiras canadenses das alemães.

Eu me escondendo numa trincheira

Le Touquet-Paris-Plage

Cidadezinha a beira-mar muito fofa com ruas cheias de gente e comércio aberto em pleno domingo, o que é muito raro aqui na França. A praia é aquela coisa de praia européia, sem graça toda vida. Mas a areia era branca.

Boulogne-sur-Mer

Bola fora do guia Michelin. Nada de interessante nessa cidade portuária, apesar de não termos ido no tal Nausicaä, o centro de exibição sobre o mar que é a grande atração da cidade. Tem uma cidade fortificada bacana com uma igreja bonitinha, mas é só isso.

Cidade fortificada

Wimereux

Sei lá de Wimereux. Tem uma igreja e uma ponte, e é praticamente uma rua. Uma rua lindinha, com casas lindinhas, mas uma rua. Mas foi onde paramos para dormir e onde tomamos no dia seguinte um café da manhã gostoso. Cidade de passagem, nada de especial.

Côte d’Opale

Na verdade não sei bem os nomes das cidades onde ficam estes cabos, mas eles ficam na Côte d'Opale, que é o litoral Norte da França. O Cap-Gris Nez é o ponto geográfico da França mais próximo da costa da Inglaterra. A distância é de mais ou menos 30 km de uma costa a outra nesta parte do Canal da Mancha. Dizem que é possível ver a cidade inglesa Dover do outro lado, mas no dia que fomos a visibilidade não estava boa. E ventava, ventava muito. O Cap-Blanc Nez também é um cabo próximo à cidade de Calais que, assim como o Cap-Gris Nez, tem um farol e rochedos altos. Devem ser mais bonitos em dias claros, mas mesmo assim foi legal.

Calais

Cidade portuária sem muitos atrativos. Nem paramos.

Lille

Lille é uma cidade maior, mais movimentada. O centro histórico é bonito e bem conservado, e aqui já começam a aparecer sinais mais fortes de influência flamenga na arquitetura dos prédios. Também tem uma parte mais nova, perto da estação de trens, que é bem moderna.

Chegando no centro histórico de Lille

terça-feira, 31 de março de 2009

Picardia

Começamos a viagem pela Picardia, que fica logo ao Norte da Île-de-France, a região de Paris.

Chantilly

A primeira parada foi em Chantilly, cidade cujo castelo foi cenário de um dos mais espetaculosos e curtos casamentos do high society brasileiro. Apesar da história recente, que na verdade não é nem um pouco importante – apesar da minha curiosidade pra conhecer o lugar onde Ronaldinho e Daniela Cicarelli trocaram alianças –, o Château de Chantilly começou a ser construído no século XVI, foi destruído durante a Revolução Francesa e foi novamente reconstruído em estilo renascentista no fim do século XIX. Hoje o castelo abriga o Musée Condé, que exibe obras colecionadas por seu último proprietário, o duque de Aumale. A coleção inclui muitos quadros de motivo religioso, destacando obras de Rafael, Botticelli e Poussin.

Château de Chantilly

Senlis

É uma cidadezinha pequena bem perto de Chantilly, cujo destaque é a gótica Cathédrale Notre Dame datada do século XII. Algumas ruínas da época galo-romana completam a não muito variada gama de coisas legais para ver lá.

Cathédrale Notre Dame: reparem onde estão as mãos das estátuas posicionadas nas extremidades

Compiègne

Fato histórico importante da próxima parada: Joana D’Arc foi capturada em 1430 em Compiègne. A cidade também tem um castelo de verão construído por Luis XV e que foi freqüentado também por Luis XVI e Napoleão I. Hoje, eles sediam o importantíssimo Salão Internacional de Ovos Decorados.

Grande evento de Compiègne, não posso deixar de perder

Amiens

Amiens é a capital da Picardia e tem uma das mais importantes catedrais góticas da França, que muito originalmente se chama Catedral de Notre Dame e foi construída para guardar a cabeça de São João Batista. Dizem que foi milagre a igreja ter sobrevivido praticamente intacta às duas guerras.

Catedral de Notre Dame

A viagem em números e mapas


Visualizar 2009-03 - Rumo Norte em um mapa maior
Foram no total 1.660 km rodados entre vinte cidades da França, da Bélgica e de Luxemburgo. Dois amigos do Brasil. Uma multa por estacionamento irregular. Incontáveis litros de cerveja. Oito taças de champanhe. Alguns quilos a mais. Vários euros a menos. E um bocado de história pra contar.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Laptop bebum


Não é que a gente tenha ido a hotéis sem conexão. O problema é que segunda-feira o laptop tomou um banho de cerveja em Bruges e eu não tinha tido coragem de ligá-lo até agora porque achei que tinha estragado. Por enquanto está tudo bem, o coitado sobreviveu à nossa desastrada degustação de cervejas no quarto. Consolo: a cerveja era belga.

domingo, 22 de março de 2009

Rumo Norte

Saímos hoje de manhã de Paris. Destino: Norte da França. Roteiro: nenhum. Temos que estar na segunda-feira em Bruges para encontrar Luiz e Dani, mas até lá, estamos só rodando de carro e parando nas cidades que parecem interessantes. Já visitamos Saint Witz, Chantilly, Senlis e Compiègne, e vamos dormir aqui em Amiens, na Picardia.
Mais detalhes por vir, cedo ou tarde. Cedo se estivermos sempre em hotéis com wi-fi, ou tarde daqui a uma semana, quando voltarmos pra casa.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Em pedaços

“Art washes away from the soul the dust of everyday life”

Comprei recentemente um livro sobre história da arte que tem essa frase muito bonita do Picasso na contra-capa. Apesar de eu ainda não ter tomado vergonha na cara e começado a visitar e revisitar os museus de Paris, tenho feito um pouco de “arte” pra lavar a poeira do meu cotidiano por ora solitário:

1) Montei um quadro bacaninha do Warhol (Double Mona Lisa) no Allposters com uma moldura meio prateada e passe-partout amarelo, bem pop art. Chegou ainda agora e ficou lindo! Daí me lembrei que começa hoje a exposição “Le Grand monde d’Andy Warhol” no Grand Palais e que quero começar a temporada de arte com essa exposição, e logo!


2) Criei um mural com fotos de familiares e amigos queridos, o que me deixou feliz e ao mesmo tempo deu um apeeeerto no coração... muitas saudades de todos, muitas mesmo!


Daí comecei a pensar nessas escolhas que a gente faz e nas consequências delas. Mesmo antes de nos conhecermos, eu e Rafael já queríamos morar fora do Brasil, e de comum acordo resolvemos que era agora ou nunca. Desde o começo eu sabia que o contrato dele incluía cinco semanas de embarque pra cinco semanas em terra. Então – vejam bem, não é uma reclamação, é só uma constatação – eu sabia que mês sim, mês não eu ficaria sozinha, e que provavelmente seria difícil no começo já que eu não conheço quase ninguém por aqui. E bem desde o começo também percebi que, para ganhar essa experiência fora do país, eu teria que abrir mão de muita coisa, e principalmente perder a companhia de quase todas as pessoas que eu amo.

Ficar sozinha, portanto, já era parte do meu contrato, por assim dizer. Mas mesmo sendo uma pessoa mais introvertida que extrovertida, mesmo apreciando muito meus momentos sozinha, mesmo gostando de ficar quieta no meu canto, sinto falta das minhas pessoas, de um abraço, de um beijo, de um telefonema com tarifa local, de ter a sensação de que os que eu amo estão a uma curta viagem de carro de distância, se tanto.

E acabei chegando à conclusão de que, ao contrário do que dizem os livros de auto-ajuda e as revistas femininas, eu não sou inteira sem os outros, que nunca vou ser inteira, que ninguém é inteiro. A gente sempre tem um pedacinho faltando, alguém que está longe, alguma coisa que a gente ainda não viveu, alguma coisa que a gente precisa e por enquanto nem sabe que precisa. E que isso é muito, muito bom. O que a gente tem que fazer é ir tentando sempre juntar esses pedacinhos pra ver se um dia a gente consegue ter tudo ao mesmo tempo – o que na prática é impossível, mas por que não tentar? Eu estou sem muitas frações de mim, mas estou vivendo várias experiências que eu preciso viver agora, e que essas experiências vão ajudando a montar quem eu quero ser.

Mas chega de encher o saco de vocês. Daqui a pouco vai chegar aqui em casa um pedacinho muito especial de mim e eu vou poder falar pessoalmente pra ele essas minhas bobeiras, ao invés de escrevê-las no blog.

Chegaaaaa, fui!


Quero terra embaixo dos meus pés, quero ver carros, quero ver pombos, quero várias coisas. Não precisa elaborar muito, o que vier será bem vindo. Nada de vinhos sofisticados, cerveja barata é a melhor. Nada de ver museus e prédios antiquérrimos, quero ver mulher... sexo oposto pra mim, por favor, garçom! Maíra que não me leve a mal, afinal ela sempre foi e será a única, mas poxa. Me vê aí qualquer coisinha diferente pra vista além de macacões recheados com homem.

Chega de ouvir barulhos de compressores, bombas, sirenes, exaustores. Quero agora ouvir o barulho da turbina do avião me catapultando de volta pro mundo real. Meu humor é outro, tenho feito piadas a noite toda. Colegas engenheiros, pessoal do convés, até os clientes a bordo não escaparam do bom humor. Todo mundo no navio sabe que eu tô desembarcando. É prática comum ficar checando as listas de desembarque, mesmo quando você não está nela. Pessoal vem me dar os parabéns rindo, como se eu tivesse ganho algum prêmio. Sei lá, vai ver tem gente que nunca sai. Não duvido. No parapeito do navio ficam todos olhando o barco de troca de turma indo embora. Felizes pelos que foram e tristes por não estarem junto. Eles voltam meio que de cabeça baixa pra rotina.

Trabalhar no navio é legal e pretendo fazer isso por algum tempo ainda, mas às vezes comparo embarcar com comer um monte de pimenta. Você faz pelo prazer que o alívio vai te proporcionar depois.

Varejo Brasil

Ronaldinho e a calvície

Rapadura?

segunda-feira, 16 de março de 2009

21 graus

Desde que eu cheguei aqui, peguei uma obsessão por olhar a previsão do tempo diariamente, e por isso eu já sabia que a máxima prevista hoje para Paris era de 14°C. No entanto, contrariando a previsão, a temperatura chegou a inacreditáveis 21°C com um céu limpíssimo e um sol inacreditável!

Confesso que achei que a sensação térmica estava um pouco abaixo de 21°C e até chequei em mais de um relógio de rua, mas se os termômetros da prefeitura não ficaram doidos, o número é esse mesmo. Saí pela primeira vez sem calça térmica, só com um jeans, uma blusa e um casaco mais leve. Fantástico.

Pra ningém dizer que eu tô mentindo

Pessoas lagarteando no gramado perto de Invalides

Tatuagem com rótulo


No escritório não dá pra dizer, estou sempre vestindo camisa, todo formal e cheio de postura. Já no navio, quando estou malhando sem camisa ou me trocando com alguém perto fica claro: caramba, aquele cara ali tem uma baita tatuagem de dragão nas costas! Várias pessoas elogiam, me fazem perguntas ou ficam só olhando com curiosidade. É ate engraçado dar umas viradas repentinas pra trás quando estou caminhando no heliponto e pegando sol. A pessoa finge de um jeito esquisitíssimo que não tava encarando, só falta sair assoviando pro alto e tudo!

Não faço o tipo clássico de cara tatuado, na visão dos muitos clichês sobre o tema. Acho que isso confunde os rotuleiros de plantão. Sabe... não sou marinheiro, músico, Yakuza e por aí vai. Tenho pinta de pessoa que jamais faria isso, entende? Engenheiro branquelinho que usa óculos. Pessoa que usa óculos só pode ser estudiosa e careta, certo? Assim como nos filmes todo estudante/profissional asiático é super inteligente e meio excêntrico. A curiosidade geral passa a ser o porquê de um cara assim ter feito tatuagem. Já neguei ser punk, cultuar seitas esquisitas, ter fetiches envolvendo dragões ou ter prazer em sentir dor. "Não meu filho. Se eu pudesse escolher, o processo da tatuagem não doeria nadinha".

Ah! Lembrança sem nexo sobre o tema: quando estava passeando com a Maíra em uma das trilhas de Bonito (MS), mãe e filha vinham caminhando atrás de mim. Pelo sotaque elas eram paulistas. A filha curiosa e sem perceber que eu estava escutando perguntou pra mãe: “Olha mãe, aquele garoto ali tem uma coisa estranha desenhada nas costas. O que é aquilo?!”. Naquela didática simples, típica das mães, ela respondeu na lata: “É um lagarto pegando fogo minha filha”. Putz... coitadinho do meu dragão.