Páginas

domingo, 15 de março de 2009

Femme au foyer

No Centro Educacional de Niterói não ensinaram. Na Escola de Comunicação da UFRJ também não, e muito menos no MBA em Marketing da FGV. Então por que diabos eu deveria saber passar roupa?

Tem coisa que dá pra tapear e não passar, tipo calças e blusas que acabaram de sair da máquina de secar e que vão ficar debaixo de várias camadas de casaco. Mas as camisas sociais de Rafael, caceta, que epopéia! Você passa um lado, passa o outro, passa a manga direita e todo o resto já amassou de novo. Aí você passa a manga esquerda e toda a camisa parece que ainda não viu o ferro. Infernal.

Agora, tem outras coisas que são moleza de fazer aqui. O sabão para lavar roupa, o amaciante e o sabão da máquina de lavar louça que eu compro vêm em doses individuais dentro de saquinhos hidrossolúveis que você coloca na máquina e pronto. Achei moderníssimo isso do saquinho se dissolver na água! Até disfarça um pouco a falta de glamour das atividades cotidianas.

Pois é. A vida em Paris também tem os seus revéses.

Sabão e amaciante

sábado, 14 de março de 2009

Meu iPhone

Nada não. Só pra mostrar que graça que é o meu novo brinquedinho... desculpem a chatice, mas é que eu tô perdidamente apaixonada pela modernosidade dele e já o enchi de aplicativos:

- Metro Paris pra me guiar nos transportes públicos, todos os transportes públicos

- Le Monde e 20 Minutes para notícias (tenho que ler em francês pra treinar, oras!)

- Pages Jaunes (páginas amarelas) e AroundMe (localizador de estabelecimentos comerciais)

- Paris Bouge (localizador de locais de noitada) e HearPlanet (localizador de locais turísticos)

- AlertezMoi (localizador de radares em toda a França, bom pra viagens)

- Conjugueur2 (conjugador de verbos em francês) e Translator (tradutor)

- Tetris (adooooooro!) e Sudoku

- Twenga (comparador de preços)

- Flashlight (aplicativo idiota que deixa a tela toda branca - ou a cor que você escolher - pra que o aparelho sirva de lanterna)

Mas tenho que confessar que ainda fico atrapalhada com o básico dele. Pra salvar um contato no telefone, eu acabo ligando pra pessoa por engano. E, sinceramente, a tela de envio de SMS também não é das melhores, já que ela não vira horizontalmente e daí o teclado fica meio apertadinho naquela tela vertical. Enfim, nada é perfeito.

Primeira tela

Segunda tela

O navegador Safari com o blog aberto. Metalinguagem? :-) E olha Bruno no fundo de tela do computador, atrás! Que saudades!

sexta-feira, 13 de março de 2009

Atendimento ao cliente

Pode ser que eu tenha tido sorte, mas desconfio que os serviços de atendimento ao cliente aqui na França são muito melhores que no Brasil. Claro que a minha amostragem de contatos com empresas ainda é pífia, mas a porcentagem de satisfação é sem precedentes: 100%.


Explico. No final do mês receberemos Luiz e Dani, os primeiros hóspedes da Chez Pessurno. Eles compraram ingressos pro show do Metallica que vai ter em Paris e mandaram entregar aqui em casa, mas por algum motivo que desconheço o código eletrônico para entrar no prédio estava ligado durante o dia e o entregador não conseguiu entrar. A Dani viu no site do Fedex que o pacote havia voltado para a agência do Fedex porque o endereço estava incompleto, e eu mandei um email pra eles pedindo esclarecimentos. Meia hora depois – meia hora depois! – me ligaram do Fedex explicando a situação do código eletrônico e marcando uma hora hoje para entregarem os ingressos. E o entregador chegou no horário marcado. Fiquei chocada!

A outra situação em que eu tive que entrar em contato com um serviço de atendimento foi quando fiz uma compra na Amazon e depois de dois dias o pedido constava no site deles como entregue. Mandei um email pro site, respondido muito gentilmente em menos de duas horas, que esclarecia que o tipo de encomenda que eu tinha feito não precisava de assinatura no recebimento e solicitando que eu checasse com o zelador do prédio ou com algum amigo que pudesse ter recebido por mim. Pronto, pensei, bateram em qualquer porta e o vizinho roubou a minha encomenda. Depois de uma ida desesperada à agência La Poste mais próxima, na qual eles me confirmaram que a entrega já tinha sido feita mesmo, acabei descobrindo que existe uma caixa de correio maior na qual os carteiros colocam os pacotes que não cabem na caixa pessoal. Uma caixa sem chave, que qualquer um pode abrir, e o pacote estava lá intocado. Chocada, chocada.

Agora quero ver como funciona o atendimento ao cliente da minha operadora de celular, a Orange. Parece que a Bouygues, das três que operam aqui (Orange, Bouygues e SFR; tem MVNOs* como a Virgin, mas as operadoras mesmo são essas), teve seu serviço ao cliente eleito como o melhor das três. Ela deve demorar uma hora para resolver o problema do cliente e as outras devem demorar, sei lá, uma hora e meia. Se bem que, por experiência, não sei se operadoras de celular resolvem as coisas rapidamente em qualquer lugar do mundo que seja. Mas pode ser que eu tenha uma boa surpresa ou que o serviço deles seja tão bom que eu nem precise ligar. Tomara.

* MVNO é a sigla para Mobile Virtual Network Operator, que é, simplificando, uma operadora que tem uma marca mas não tem a infra-estrutura e/ou licença própria para fornecer serviço móvel, e usa os recursos de uma operadora que os tem. A Virgin Mobile é um bom exemplo desse tipo de prestação de serviço.

terça-feira, 10 de março de 2009

Conectada?

Voltei a ter uma forma de conectar em casa: estou escrevendo do meu novo iPhone. Até pouco tempo atrás eu estava com raiva dele, pois não achava de jeito nenhum a maneira de inserir o SIM card. Mas uma ligação internacional pro iPhone do André e eu descubro que tem um buraquinho micro que abre se você puxar com um alfinete ou algo do gênero, e toda a raiva foi embora. O troço é sensacional, muito bacana mesmo. Claro que eu demoro horas pra escrever no teclado dele, mas já estou pegando o jeito.


Tem feijão, mas acabou a laranja

Um dos meus mais novos passatempos é entrar nas diferentes lojas de comida que existem aqui na vizinhança. Descobri um frango ao limão que foi o melhor frango que eu já comi, alguns queijos e um azeite sensacional, entre outras coisas. Mas a descoberta mais pitoresca foi uma lojinha de produtos finos que tinha... feijão preto! Custa uns 5€ o quilo, mas tá valendo.

Fui fazer o feijão pra ver se presta, só que não tinha me dado conta de que eu não tenho panela de pressão, então o feijão demorou umas seis horas pra ficar pronto. Mas e daí? Pelo menos ficou gostoso. Até coloquei uma lingüiça pra fingir que era um paio! Claro que eu não sou profissional que nem o Alexandre, que fez uma feijoada em Madri televisionada pela TVE. Mas um dia eu chego lá.

Olha o produto final:


Ah! Um adendo só pra avisar que, se eu não responder emails ou recados logo, é porque estou sem internet em casa de novo e estou acessando do Starbucks. Ainda não tinham instalado a definitiva, mas eu estava mais tranquila por causa da conexão wi-fi (aqui eles falam “uí-fi”) da Orange. O problema é que ela não aparece mais como disponível na listinha de redes, então voltei à estaca zero e ainda perdi o dinheiro do acesso, que é pré-pago. Acho que eu ainda tinha uma hora e meia pra gastar, ou seja, aproximadamente uns 5€. Dava pra comprar mais de um quilo de feijão.

Berlim em fotos aleatórias

Pedaços do Muro na Potsdamer Platz

Cerveja Berliner

Fernsehturm, a torre de televisão que se vê de toda a cidade

Bonequinho do sinal de trânsito

O Apfelstrudel que caiu no chão (pelo menos foi no final!)

Cachorro descansando numa livraria

Cerveja degustada no bar russo perto do hostel

Um hostel boat (?) perto da East Side Gallery

Visita frustrada à Neue Nationalgalerie, que estava vazia e fechada

Recepção do hostel

segunda-feira, 9 de março de 2009

Quatro dias em Berlim

Só mesmo estando em Berlim para se dar conta do quanto de história tem lá, mesmo que boa parte da história que está refletida nas ruas da cidade seja a reconstrução ou a desconstrução do que um dia foi. Reconstrução de prédios, igrejas, monumentos ou bairros inteiros que foram bombardeados na Segunda Guerra. Desconstrução representada pelo Muro, que, derrubado, reunificou a Alemanha novamente em 1989, e hoje permanece lá invisível: uma linha cortando o chão da cidade e curtos pedaços preservados como relíquia histórica.

Uma das coisas que mais me impressionou foi justamente a questão do Muro, porque é uma história muito recente, uma história que eu vi acontecer pela televisão. Claro que na época eu não tinha a noção real do que era todo aquele fuzuê porque eu tinha nove anos de idade, mas ainda assim lembro de ver acontecer. É diferente de aprender uma história que aconteceu bem antes de eu existir, sei lá, me parece uma coisa mais real.


Mas chega de filosofia barata sobre a história. O fato é que gostei muito de Berlim. Estes quatro dias foram bem aproveitados em vários passeios e visitas bacanas.

Uma das coisas que mais gostei de fazer foi um “Free Tour” que estava anunciado no mapa que davam no hostel. É um roteiro gratuito a pé que na verdade não é bem gratuito: eles pedem que você dê seu preço no final se tiver gostado. Paguei com gosto, já que a nossa guia, a Gemma, explicou de forma bem bacana muitas coisas que teriam passado totalmente despercebidas. Senta que o post é longo, ou pula pro próximo :-)

O tour começa na Pariser Platz, de frente para o Brandenburger Tor, que é o mais importante portal de Berlim. Antes das guerras, era símbolo da paz, e depois da reunificação, se tornou o símbolo do nacionalismo alemão. Conta a guia que Napoleão, ao passar por ali, quis que o portal inteiro fosse levado para o Louvre. Convenceram-no de levar somente a estátua que fica em cima do portal, porque logisticamente seria meio complexo, pra não dizer insano, levar um portal daquelas proporções pra dentro de um museu.


Passamos em seguida ao lado do Reichstag, que é o Parlamento alemão. O prédio, um dos símbolos de Berlim, tem um domo de cristal que fica exatamente em cima da sala do Parlamento, e em dias de trabalho as pessoas podem ver os parlamentares lá embaixo trabalhando. A simbologia de tudo isso é que a democracia, simbolizada pelo domo de cristal, deve ser transparente, e que o povo é quem elege os políticos que ali trabalham, e logo estão acima deles. O tour não pára lá, então tivemos que voltar depois para subir no prédio.



Em seguida, passa pelo Holocaust-Mahnmal, um memorial aos judeus assassinados nos campos de concentração. É uma área grande, mais ou menos equivalente a um quarteirão, onde 2.700 pedras escuras de tamanhos diferentes se enfileiram, lembrando um cemitério. Bem impactante.


Andando mais adiante, chegamos ao local onde ficava o bunker onde Hitler passou seus últimos dias (bom pra situar quem já viu o filme A Queda). Este ponto não foi sinalizado para que não virasse um local de peregrinação de neo-nazistas ou coisa semelhante. Ao contrário, é um lugar completamente comum que foi aterrado e virou um estacionamento. Também passamos por um dos únicos prédios de arquitetura nazista ainda existentes na cidade, que não foi bombardeado – provavelmente porque os aliados queriam recuperar as informações ali guardadas, pois era uma espécie de ministério da aeronáutica nazi – e que hoje é sede do Ministério da Fazenda.

A parada seguinte foi no local onde ficava o Checkpoint Charlie, um dos pontos de passagem na fronteira entre o lado americano e o soviético do Muro.



Passamos pelo Gendarmenmarkt, onde há duas igrejas, a Französischer Dom e a Deutscher Dom, respectivamente locais de culto calvinista e luterano que mandaram construir no século XVIII para atrair população para a cidade, que na época estava meio sem gente por causa das sucessivas guerras que a Alemanha tinha o hábito de frequentar desde tempos remotos.

Depois, passamos pela Bebelplatz, onde ocorreu a grande queima de livros no regime nazi e onde hoje existe um memorial interessante sobre este evento: no meio da praça há uma espécie de biblioteca subterrânea vazia que pode ser vista a partir do nível do chão através de um tampo de vidro.


Dali, uma passada na Universidade Humboldt e chegamos na Ilha dos Museus, onde tem também o Berliner Dom, uma catedral protestante que foi o ponto final do tour.

Outros passeios interessantes: Nikolaiviertel, um pequeno bairro medieval reconstruído.


A Tacheles, galeria de grafite e arte alternativa na Oranienburger Strasse.



O Sony Center e o Museu do Filme que tem lá.



A Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche, uma igreja parcialmente destruída na Segunda Guerra e que foi mantida assim, parcialmente destruída, para não deixar ser esquecido o horror da guerra.



E, claro, não dá pra deixar de experimentar a maior quantidade possível de cervejas! Coisas estranhas da Alemanha também; por exemplo, pizza com pepino e pimentão vermelho (acreditem, eu comi isso!). Uma viagem muito bacana que provavelmente Rafael também vai querer fazer, apesar de já conhecer algumas cidades alemãs. Eu não vou reclamar nem um pouco de voltar lá, mas da próxima vez tem que ser numa época mais quentinha. Que na Alemanha faz ainda mais frio que na França, e isso foi a única coisa não legal na viagem.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Berlim

Aproveitando os voos low cost e as ótimas tarifas de hostels pela Europa, resolvi dar uma passeadinha por Berlim com a Cris. Por enquanto não deu pra conhecer muito bem a cidade porque já chegamos aqui de tardinha, mas fomos passear agora de noite no modernoso Sony Center e depois tomamos uma tradicional cerveja alemã acompanhada de salsicha, chucrute e batata num bar onde estava passando um jogo de futebol entre o Spantoltzerplatz e o Markstunigstfalöpz. Super alemão.

Mas já estou com saudades da França. Lá eu não entendo quase nada, mas é melhor que aqui, que eu não entendo absolutamente nada.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Insetos

Agora que reparei que, desde que cheguei aqui, não vi nenhum inseto. Nenhum, nem formiguinha. Será que é porque é inverno? No Brasil, formiga não respeita esse negócio de estação, não.

Acho que até as formigas francesas são mais sérias do que as brasileiras.

domingo, 1 de março de 2009

Paris by night

Sábado à noite, primeira saída em Paris: fui com Cid e Virginie para uma boate chamada Social Club lá pros lados da Bourse. O DJ era chato demais e a música idem, mas mesmo assim me diverti observando o comportamento das pessoas na noite parisiense. Algumas figuras são clássicas em qualquer lugar: o arroz-de-festa flanando em todas as meninas presentes, o tímido que fica no cantinho desejando ter a cara de pau do arroz-de-festa, o mauricinho que olha todo mundo de cima, o alternativo com camisa de banda que só ele conhece. Até aí, normal. Foram as diferenças de estilo e comportamento que me interessaram.


Pra começar, aqui eles não têm ritmo. Não têm, ponto. Algumas pessoas até dançam na batida da música, mas a maioria abstrai o que está tocando e inventa sua própria cadência, algo entre uma sacudida e uma tentativa de rebolado.

O jeito de se vestir de alguns é peculiar, já que certos meninos não largam de seus chapéus e certas meninas não abrem mão de suas echarpes nem mesmo numa pista de dança quente. E não vi ninguém suado, hein!

Também achei surpreendente a intimidade que as pessoas de um mesmo grupo pareciam ter entre si, já que cada hora que eu olhava, achava um novo par formado entre as mesmas pessoas. Do tipo: “Ih, a loirinha pegou o cabeludo. Não, acho que ela está com o ruivo. Ué, ela ta pegando a japa? Ah, não, acho que ela ta ficando com aquele outro cabeludo. Quem ta pegando o ruivo é a japa.” Na verdade, em nenhuma das interações vi beijo, então acho que na real ninguém estava pegando ninguém, o que é ainda mais curioso. Não que dançar com outra pessoa de forma, digamos, sensual, seja incomum no Brasil; só não achei que fosse comum na França. E de certa forma, é um tipo de sensualidade diferente, que aparenta um pouco forçada. Como contraponto, por exemplo, os espanhóis também dançam colado e às vezes são pares de pessoas que nem se conhecem entre si, mas isso lá me pareceu mais natural do que aqui. Ou talvez eu esteja viajando, sei lá.

Agora diferente mesmo foi andar do 2ème até o 7ème a pé às 03h30 da manhã sem medo de ser assaltada. Cansativo, mas impagável.